Tráfico

China é o principal destino dos jaguares capturados na América Latina

Espécie, considerada em risco de extinção desde 2008, é procurada pelas suas presas, pêlos, garras e testículos. Acredita-se que dão sorte e fortuna e ajudam a melhorar o desempenho sexual
Bichos
O jaguar é espécie emblemática da América Latina
O jaguar é espécie emblemática da América Latina
Cerca de 90% da população de jaguares vive na floresta amazónica (NickBar/Pixabay)

A China continua a ser o principal destino dos jaguares (Panthera onca) capturados ilegalmente na América Latina, revelou uma representante da Comissão de Justiça da Vida Selvagem (WJC, sigla em inglês) ao jornal peruano Gestión. Esta espécie, que no ano passado serviu de inspiração para a criação da mascote da 3.ª edição dos Jogos Olímpicos da Juventude, está em risco de extinção desde 2008.

 

Esta semana, realiza-se na cidade boliviana de Santa Cruz uma reunião internacional sobre o tráfico internacional de jaguares organizada pelo Ministério do Meio Ambiente e das Águas. No encontro participam representantes da Bolívia, Peru, Argentina, Costa Rica, Paraguai, Equador e Canadá.

 

Pelo menos 90% da população desta espécie vive na floresta amazónica e estima-se que existam 5000 exemplares na Bolívia, Brasil e Paraguai. De acordo com Sarah Stoner, da WJC, os jaguares são procurados pelas suas presas, pêlos, garras e testículos. Na China, acredita-se que um pingente ou um porta-chaves com uma garra ou um dente de jaguar dá riqueza e poder. No caso dos testículos, ajuda a melhorar o desempenho sexual.

 

A WJC é uma organização internacional sem fins lucrativos sedeada em Haia, na Holanda. Ajuda a desmantelar redes criminosas transnacionais que comercializam animais selvagens, através de análise de inteligência e de investigações encobertas. Nos últimos anos, graças à colaboração desta entidade, foi possível a detenção de 93 traficantes na Ásia e em África, o desmantelamento de 13 redes de comércio ilegal e a apreensão de 1,7 toneladas de marfim, 18 chifres de rinoceronte e 780 quilos de escamas de pangolim.

 

Embora não sejam ainda conhecidas as rotas ilegais da América Latina, suspeita-se que partes do corpo dos jaguares sejam enviados por correio. Só na Bolívia, desde 2014, foram apreendidas mais de 600 presas de jaguar.