Ciência

Malária aviária estará a matar os pardais de Londres

Estudo revela que as aves jovens são as mais afectadas pelo parasita Plasmodium relictum. Aumento da temperatura atmosférica poderá levar a doença à Europa do Norte
Bichos
Malária estará a matar os pardais de Londres
Malária estará a matar os pardais de Londres
O parasita da malária aviária provoca problemas no coração e no fígado dos pardais (foto: suju/Pixabay)

Um grupo de investigadores sugere que a malária aviária (uma doença parasitária as aves) está na origem da redução do número de pardais nas zonas suburbanas de Londres Londres. De acordo com a BBC, o número de aves desta espécie que vive nos arredores da capital inglesa diminui 71% desde 1995.

 

“As infecções por parasitas estão na origem do declínio da vida selvagem noutros locais e o nosso estudo indica que o mesmo está a acontecer com o pardal em Londres”, explicou Darian Dadam, do Fundo Britânico para a Ornitologia, investigadora principal deste estudo. Participaram na experiência também cientistas da Sociedade Zoológica de Londres e da Universidade de Liverpool. Os resultados foram publicados na revista científica The Royal Society.

 

Para chegarem a esta conclusão, os investigadores recolheram amostras de sangue e de fezes de pardais de 11 colónias existentes em diversos locais da cidade. Sete das colónias analisadas estavam em declínio. Em média, 74% dos pardais eram portadores de malária aviária; em alguns casos, toda a comunidade estava infectada.

 

No entanto, os cientistas consideram que a causa do declínio não está tanto no número de aves infectadas com o parasita Plasmodium relictum, mas na intensidade da infecção, verificada sobretudo nas aves jovens. As alterações climatéricas poderão estar por detrás desta mudança, uma vez que o parasita é transmitido por mosquitos, quando estes picam para se alimentarem.

 

A malária aviária provoca danos no cérebro e no fígado dos pássaros, e torna-nos mais vulneráveis aos invernos frios e aos predadores.

 

Os cientistas receiam que com o aumento das temperaturas nos países do norte da Europa, que têm climas mais húmidos, a reprodução do mosquito que transmite o parasita estará facilitada, pelo que poderão registar-se casos de malária aviária nessas zonas.