Mendicidade

Estrasburgo discute Carta de Educação Canina para os cães das pessoas sem-abrigo

Câmara Municipal diz-se preocupada com a ameaça que estes animais representam para os transeuntes e com os maus-tratos de que muitas vezes são alvo
Bichos
Cães de sem-abrigo
Cães de sem-abrigo
Em Estrasburgo, apenas duas associações aceitam pessoas sem-abrigo que tenham animais de estimação (foto: kirkandmimi/Pixabay)

A cidade francesa de Estrasburgo poderá aprovar uma Carta de Educação Canina dirigida às pessoas sem-abrigo que tenham cães a seu cargo. O objectivo, segundo a vice-presidente da Câmara Municipal, é acabar com a ameaça que muitas vezes estes animais representam para os transeuntes e eliminar os casos de maus-tratos.

 

Ao jornal 20 Minutes, Christel Kohler garante que o objectivo não é “estigmatizar as pessoas sem abrigo”. No dia 25 de Abril, o presidente da Câmara de Estrasburgo, o socialista Roland Ries, assinou um decreto proibindo a mendicidade em três zonas nobres da cidade. A medida está a ser fortemente contestada pelas associações que apoiam as pessoas sem-abrigo.

 

Na sequência deste decreto, estão a ser discutidas medidas relacionadas com os seus cães. Christel Kohler lembra que estes animais estão na origem de muitas desordens públicas. Na cidade, há apenas duas associações que aceitam pessoas sem-abrigo que tenham animais de estimação, mas as vagas são reduzidas.

 

Sempre que um destes cães foge e é capturado pelo canil municipal, a pessoa sem-abrigo só poderá recuperá-lo se fizer prova de que é o seu verdadeiro dono, o que nem sempre é fácil. Além disso, deverá pagara entre 40 a 130 euros pelas despesas tidas com o animal enquanto este esteve à guarda dos serviços camarários.

 

Há ainda a questão dos maus-tratos a estes animais, denunciados pela SDF Alsace, um colectivo de pessoas sem-abrigo que tem chamado a atenção dos eleitos para este problema. Há cães que vivem constantemente com o açaimo colocado, com a trela curta e empurrados pelos donos sem qualquer motivo. Com o passar do tempo, estes animais tornam-se agressivos.

 

Ao jornal 20 Minutes, Anne Trodzier, da associação Lianem declarou: “A solução não é tirar os cães a estas pessoas, mas lidar com as causas da violência. Um cão pode ajudar uma pessoa a deixar a droga ou a bebida”.

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