Maus-tratos

Mais de 100 felinos doentes em centro de reprodução sul-africano

Animais destinavam-se a ser abatidos por caçadores a troco de dinheiro. Leões estão carecas devido à sarna e crias não conseguem andar por causa de problemas neurológicos
Bichos
Mais de 100 felinos doentes em centro de reprodução na África do Sul
Mais de 100 felinos doentes em centro de reprodução na África do Sul
Estima-se que 12 000 leões vivam nos 260 centros de reprodução que existem na África do Sul, que exporta anualmente 1500 esqueletos destes animais

Mais de 100 felinos, entre leões, tigres, leopardos e lices-do-deserto, foram encontrados subnutridos e doentes num centro de reprodução na África do Sul, de acordo com o jornal inglês The Independent.

 

Ao entrarem nas instalações da Quinta Pienika, os inspectores da Sociedade Nacional para a Prevenção dos Maus-Tratos a Animais (NSPCA, sigla em inglês) da África do Sul verificaram que o local estava sobrelotado e imundo.  Os animais não tinham água para beber e estavam infestados de parasitas.

 

Duas crias apresentam problemas neurológicos e não conseguem andar. Foram já retiradas do local e estão em tratamento.

 

O pêlo de 27 leões caiu devido à sarna, uma doença infeciosa e altamente contagiosa, e os linces-do-deserto estão de tal forma obesos que não conseguiam cuidar da sua própria higiene, segundo os inspectores. O seu destino dependerá do processo legal.

 

Os animais destinavam-se a ser abatidos por caçadores a troco de dinheiro.  Uma vez mortos, os seus ossos seriam aproveitados pela indústria. O proprietário da Quinta Pienika, Jan Steinman, está acusado de violação das leis de protecção animal. Membro da Associação de Predadores da África do Sul (Sapa, sigla em inglês), diz-se defensor da “caça responsável”.

 

Ao jornal The Independent, o inspector sénior da NSPCA, Douglas Wolhuter, salientou outros problemas: “(…) recintos pequenos e abrigos inadequados, sem fornecimento de água, superlotação e condições imundas e parasitárias …”.

 

 

 Exportação de esqueletos

No ano passado, o mesmo jornal já tinha denunciado esta indústria sul-africana que subsiste à conta do dinheiro dos turistas que querem alimentar e tirar selfies com leões reproduzidos em cativeiro.

 

De acordo com um relatório da Fundação Born Free, publicado, em 2018, a África do Sul começou a exportar esqueletos há uma década.  Segundo o jornal The Independent, cerca de 12 000 leões viverão nos 260 centros de reprodução que existem na África do Sul.

 

O país pode exportar anualmente até 1500 esqueletos de leão. Os ossos destes animais são muito procurados pela medicina asiática. Depois de moídos são usados em comprimidos, emplastros e outros preparados medicinais.

 

Após a inspecção a esta quinta, o núcleo sul-africano da Humane Society International pediu ao governo que encerrasse todos os centros de reprodução do país.

 

Segundo esta organização muitas crias de leão são retiradas às mães com poucos dias de vida e entregues a voluntários de outros países, que são levados a acreditar tratarem-se de animais órfãos.