Protecção

Colocadas 25 caixas-ninho no Parque Polis da Guarda

Iniciativa da Quercus e da Transdev Portugal contou com a colaboração dos reclusos do Estabelecimento Prisional. Caixas-ninho devem ser colocadas sempre no inverno
Fátima Mariano
Colocadas caixas-ninho no Parque Polis da Guarda pela Quercus
Colocadas caixas-ninho no Parque Polis da Guarda pela Quercus
Caixas-ninho não devem ter a abertura directamente exposta ao sol (foto: Núcleo Regional da Guarda da Quercus)

Vinte e cinco caixas-ninho foram colocadas esta terça-feira no Parque Polis, na Guarda, para proporcionar a diversas espécies de aves uma zona de nidificação e de abrigo em segurança. A iniciativa da associação ambiental Quercus contou com o apoio da Transdev Portugal e do Estabelecimento Prisional da Guarda, cujos reclusos construíram as caixas-ninho. Na acção, participaram alunos das escolas Básica da Sequeira e Beatriz Ângelo.

 

De acordo com Fernando Gouveia, do Núcleo Regional da Guarda da Quercus, as caixas-ninho devem ser colocadas idealmente entre os meses de Novembro e de Janeiro. Excepcionalmente, estas foram colocadas no final de Fevereiro, porque o inverno tem sido seco e quente. «O tempo está muito inconstante. Considerámos que ainda vamos a tempo», explicou ao jornal Os Bichos.

 

Foram construídas caixas-ninho com aberturas de duas dimensões: as maiores, para aves como os tordos e os melros; as mais pequenas, para pardais e pintassilgos, entre outras. O objectivo é que a ave se sinta segura no seu interior. A madeira, oferecida pela Transdev Portugal, foi protegida com cera de abelha. «Não convém utilizar produtos com componentes químicos», alerta Fernando Gouveia.

 

As caixas-ninho deverão ser colocadas idealmente em árvores, mas também podem ser instaladas em construções humanas, preferencialmente viradas a sudoeste. A entrada não deverá ficar directamente exposta ao sol e deverá estar ligeiramente inclinada para a frente.

 

Devem ser evitados os pregos na fixação. Não só porque danificam o tronco da árvore, mas também porque acabam por enferrujar e estragar a madeira da caixa-ninho. «A melhor forma é cortar tiras de câmaras de ar e colocar arames por cima», referiu o mesmo ambientalista. Todos os anos, no outono, as caixas-ninho devem ser limpas.

 

Quercus colocou 25 caixas-ninho no Parque Polis da Guarda
Caixas-ninho foram construídas pelos reclusos do Estabelecimento Prisional da Guarda (Foto: Núcleo Regional da Guarda da Quercus)

Observação das aves

De acordo com Fernando Gouveia, brevemente, serão colocadas mais 25 caixas-ninho no parque central da cidade da Guarda. Este ambientalista ressalva a importância destas iniciativas não só para as aves, que muitas vezes têm dificuldade em encontrar locais seguros para nidificarem, mas também para a população. «Poderemos observar que espécies utilizam as caixas-ninho, fotografá-las, ver como se reproduzem», exemplificou.

 

No caso de encontrar uma cria caída junto à caixa-ninho, deverá contactar o Núcleo Regional da Guarda da Quercus para que seja colocada junto aos pais com a menor perturbação possível.

 

Bruno Almeida, presidente deste núcleo regional, lembrou que é importante saber escolher os locais onde são colocadas as caixas-ninho. «Qualquer perturbação pode provocar o abandono do ninho pelas aves. Por outro lado, os buracos nas árvores, ou mesmo em construções humanas são cada vez mais raros, porque as árvores velhas são cortadas e as construções modernas são demasiado herméticas para as aves», esclareceu.

 

Recorde-se que no mês passado, a Quercus e a Transdev Portugal libertaram em Vila Velha de Ródão dois grifos juvenis recuperados no CERAS (Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens).