Pré-História

Povos do Neolítico tinham uma relação estreita com os cães

Foram encontrados na Catalunha os restos mortais de 26 cães enterrados junto dos seres humanos. Teriam entre 12 e 18 meses de idade e foram sacrificados e sepultados no âmbito de um ritual funerário comum há 6000 anos
Bichos
Cães era enterrados com os seres humanos na época do Neolítico
Cães era enterrados com os seres humanos na época do Neolítico
No Neolítico, os cães tinham uma dieta alimentar muito semelhante à dos seres humanos (foto: Pixabay)

Foram encontrados na região espanhola da Catalunha os restos mortais de 26 cães que foram sacrificados e sepultados com os humanos há cerca de 6000 anos. Os animais teriam entre um mês e seis anos de idade e foram mortos e enterrados no âmbito de um ritual funerário que se generalizou nas populações neolíticas do noroeste da Península Ibérica.

 

A conclusão é de um estudo realizado por investigadores das universidades de Barcelona e Autónoma de Barcelona que foi publicado na revista científica Journal of Archaeological Sciences: Reports. Esta prática funerária coincidiu com a generalização dos túmulos (ou sepulturas) de poço (4200 a.C.-3600 a.C.).

 

O elevado número de casos identificados na Catalunha indicia que os humanos tinham uma relação estreita com os seus cães, que alimentavam com uma dieta muito semelhante à sua.

 

Ao jornal La Vanguardia, Silvia Albizuri, a investigadora principal do estudo, referiu que a escolha de cachorros e de cães até um ano de idade sugere uma intencionalidade no sacrifício. «Embora se pudesse pensar que era para consumo humano, o facto de terem sido enterrados junto ou próximo de pessoas aponta para um enterro intencional e uma relação directa entre a morte e o ritual funerário».

 

Os povos que antigamente habitavam o território que hoje faz parte da Catalunha atribuíam aos cães um valor simbólico semelhante ao que foi identificado no sul de França e no norte de Itália. Os cães encontrados eram de tamanho médio (entre 40 e 50 centímetros de altura de corpo) e as médias de idade variavam entre os 12 e os 18 meses.

 

A maioria foi enterrada em túmulos circulares e encontrava-se na entrada da câmara funerária. Os esqueletos estavam semi-completos, sem fracturas, ou sinais de que tenham sido esfolados ou atacados por predadores.

 

Dieta alimentar mista

Os investigadores realizaram estudos isotópicos dos restos mortais dos cães e compararam-nos com os dos seres humanos e animais herbívoros da zona. Concluíram que a dieta da maioria era mista, muito semelhante à dos humanos, com uma alta presença de cereais, como trigo e vegetais.

 

Em dois cachorro e dois adultos, a dieta era predominantemente vegetariana e, em alguns casos, rica em proteína animal. «Estes dados reflectem uma coexistência muito próxima entre cães e humanos», refere a antropóloga Eulalia Subirà.

 

«Provavelmente, vigiavam o que eles comiam para terem um maior controlo do seu desempenho nas tarefas de vigilância e libertá-los do tempo que tinham que gastar para obter comida. Esta gestão explicaria a homogeneidade dos tamanhos», acrescenta a investigadora do Grupo de Investigação Biológica da Universidade Autónoma de Barcelona.

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