Polémica

Cientistas chineses clonaram macacos com gene modificado para causar doença mental

Os cinco animais clonados apresentam sinais de depressão e de ansiedade e comportamentos que indiciam esquizofrenia. A China é o único país com tecnologia para clonar macacos
Bichos
Clonagem de macacos com gene modificado gera polémica

Cinco macacos bebés foram clonados na China com um gene modificado para causar doença mental, foi anunciado na quarta-feira.

 

A revelação está a gerar grandes preocupações éticas pela possibilidade de clonagem de animais com defeitos genéticos criados artificialmente. A associação One Voice recorda que não há legislação explícita sobre a clonagem na China e apela aos cidadãos franceses que escrevam ao embaixador daquele país a mostrar a sua indignação.

 

Este anúncio surge depois de em Novembro o cientista He Jiankui ter admitido, num congresso em Hong Kong, que clonou duas bebés com um gene modificado. A clonagem humana é proibida na China e esta experiência foi realizada sem autorização.

 

A experiência foi realizada por 11 cientistas do Instituto de Neurociências da Academia Chinesa de Ciências, em Xangai e os resultados foram publicados esta semana na revista Science Review National.

 

Os cinco macacos partilham os mesmos genes, derivados de um fibroblasto retirada da pele do macaco dador. Entre esses genes encontra-se o BMAL-1, que foi modificado ainda no macaco dador.

 

Este gene produz uma proteína que desempenha um papel importante na regulação de determinados ritmos biológicos nos mamíferos. O que não acontece no caso da versão modificada, explica o Sciente Alert.

 

Nestes casos, os animais apresentam desordens no ciclo circadiano, como hiperactividade à noite e menos horas de sono. Mostram também sinais de ansiedade e de depressão, bem como comportamentos que indiciam esquizofrenia.

 

De acordo com o South China Morning Post, o mesmo grupo de cientistas terá já clonado um macaco adulto, que apresenta os sintomas mais severos daquelas doenças.

 

«O nosso objectivo é seleccionar um macaco que apresente o gene modificado correcto e os mais severos sintomas da doença do macaco dador», explicou, num comunicado à imprensa, Sun Qiang, o cientista que liderou o estudo.

 

 

Bem-estar animal?

Actualmente, a China é o único país que detém a tecnologia necessária para clonar macacos. No ano passado, foi anunciado o nascimento de dois símios clonados saudáveis.

 

Chang Hung-Chun, outros dos cientistas que participou na investigação, referiu que estas experiências «podem ajudar a desenvolver tratamentos para um vasto conjunto de doenças humanas, como as desordens do sono, diabetes, cancro, e doenças neurodegenerativas».

 

Por seu turno, Poo Um-ming, director do Instituto de Neurociências e um dos co-autores do estudo, defende que a clonagem de macacos permitirá aumentar o bem-estar dos animais de laboratório.

 

«Esta linha de investigação ajudará a reduzir o número de macacos que é actualmente utilizado em investigações biomédicas em todo o mundo», sublinhou.

 

Uma tese que não colhe o apoio de Deborah Cao, da Universidade Griffith, na Austrália. «A melhor forma de reduzir o número de macacos usados nestas experiências é parar com estas experiências com animais», disse à Newsweek.