Preservação

Libertados dois grifos em Vila Velha de Rodão

Juvenis foram devolvidos à natureza numa zona onde existe uma colónia desta espécie, que tem o estatuto de quase ameaçada em Portugal
Bichos
Dois grifos juvenis devolvidos à natureza em Vila Velha de Ródão
Dois grifos juvenis devolvidos à natureza em Vila Velha de Ródão
Existem cerca de 400 casais reprodutores, instalados sobretudo no Douro e no Tejo Internacional (foto: Quercus)

Dois grifos juvenis (Gyps fulvus) foram libertados na quinta-feira junto ao Monumento Natural das Portas de Ródão, em Vila Velha de Ródão, onde existe uma colónia desta espécie.

 

Os animais estiveram um período no CERAS – Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens da Quercus, localizado em Castelo Branco. Antes de serem devolvidos à natureza, foram marcados com uma anilha metálica e marcas alares, que permitirão o seu seguimento.

 

A acção de libertação dos grifos foi feita pela Quercus e a Transdev, empresa que em 2017 estabeleceu um protocolo de colaboração com aquela associação.

 

O acordo, assinado após os incêndios que destruíram uma vasta área do território e colocaram em risco a sobrevivência de várias espécies animais, prevê a reflorestação e outras acções de protecção à biodiversidade.

 

O grifo é uma ave de presa de grandes dimensões (é uma das maiores aves existentes em Portugal), que é frequentemente vista em grupos de algumas dezenas de indivíduos.

 

Normalmente, aproveita as correntes de ar para se deslocar, podendo percorrer distâncias de até 300 quilómetros por dia a uma altitude de até 6000 metros acima do nível do mar.

 

Apesar da importância ecológica desta espécie necrófaga, enfrenta várias ameaças. As principais são o envenenamento, a colisão e eletrocussão em linhas eléctricas, a redução da disponibilidade alimentar, a alteração do habitat e a ingestão de carcaças com resíduos de medicamentos.

 

De acordo com o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, o grifo é uma espécie com o estatuto de quase ameaçada, uma vez que existem menos de 1000 exemplares no país.

 

A sua população reprodutora é de cerca de 400 casais, instalados sobretudo no Douro e no Tejo Internacional.