Ciência

Empresa alemã descobre forma de evitar a morte de milhões de pintainhos

Pintainhos macho são mortos à nascença por não terem qualquer utilidade para a indústria. Empresa desenvolveu um método que permite saber o sexo da cria nove dias após a fecundação do ovo
Bichos
Milhões de pintainhos são mortos todos os anos por serem machos
Milhões de pintainhos são mortos todos os anos por serem machos
Método utilizado para determinar sexo do pintainho é semelhante a um teste de gravidez (foto: cocoparisienne/Pixabay)

Todos os anos, milhões de pintainhos são mortos à nascença por razões economicistas. Sendo machos, não colocam ovos. Além disso, demoram mais tempo a chegar à idade adulta do que as fêmeas, pelo que a despesa com a sua alimentação é mais elevada.

 

Só na Alemanha, estima-se que anualmente 45 milhões de crias de galinhas poedeiras sejam mortas por esse motivo; em França, serão 40 milhões. Em todo o mundo, esse número oscila entre os quatro e os seis mil milhões.

 

Os pintainhos são sufocados à nascença ou colocados vivos em máquinas de triturar para a produção de alimento para outros animais. Principalmente, para répteis, segundo o jornal Guardian. Métodos que têm gerado forte contestação por parte dos defensores dos direitos dos animais e dos consumidores.

 

Para acabar com esta mortandade, a empresa alemã Rewe desenvolveu, em parceria com a Universidade de Leipzig, uma tecnologia que permite saber o sexo do pintainho pouco tempo depois de o ovo ter sido fecundado.

 

Isto porque entre o 8.º e o 10.º dia de fecundação são detectáveis hormonas sexuais que possibilitam determinar se o pintainho será macho ou fêmea.

 

O processo Seleggt consiste na perfuração da casca do ovo com recurso a laser. Através do furo, que tem cerca de 0,3 milímetros de diâmetro, é retirada uma pequena quantidade de líquido.

 

Este é colocado num marcador químico – semelhante a um teste de gravidez: se mudar para azul, é macho; se para o branco, é fêmea.

 

Se se tratar de uma fêmea, o ovo é incubado e a cria nasce ao fim de 21 dias. Caso seja um macho, o ovo é separado, destruído e transformado em ração. A taxa de sucesso, garante a empresa, é de 98%.

 

 

Financiamento estatal

O projecto, desenvolvido ao longo de quatro anos, foi financiado pelo Ministério da Alimentação e Agricultura com cinco milhões de euros.

 

“Os cientistas fizeram um trabalho extraordinário e estou satisfeito por saber que há parceiros na indústria que já adoptaram este processo”, disse a ministra alemã, Julia Klockner.

 

Os primeiros ovos selecionados através deste novo método estão à venda em Berlim desde Novembro.

 

Ludger Breloh, director da marca Seleggt, diz que foi já contactado por uma empresa holandesa interessada em que fosse desenvolvida uma máquina que lhes permitisse realizar todo o processo.

 

A Seleggt deverá chegar a aviários independentes a partir de 2020. O objectivo do Grupo Rewe é expandir esta tecnologia por toda a Europa.

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