Inquérito

Gatos ultrapassam cães na preferência dos japoneses pelo segundo ano consecutivo

Há cerca de 9,6 milhões de gatos nas casas japonesas e 8,9 milhões de cães. A tendência irá manter-se nos próximos anos
Bichos
Japoneses preferem os gatos como animal de estimação
Japoneses preferem os gatos como animal de estimação
As famílias japonesas das classes mais altas têm gatos como animais de estimação há mais de 1000 anos

Em 2018, os gatos voltaram a ser o animal de estimação preferido dos japoneses pelo segundo ano consecutivo.

 

De acordo com a Associação Japonesa de Comida para Mascotes (JPFA, sigla em inglês), o número estimado de felinos nas casas japonesas é de cerca de 9,6 milhões. O que representa um aumento de cerca de 123 000 em relação ao ano passado.

 

Em contrapartida, o número de cães situa-se nos 8,9 milhões, menos 17 000 do que em 2017. Ao que tudo indica, este decréscimo irá continuar nos próximos anos.

 

A JPFA, que reúne 85 fabricantes de comida para animais de estimação, começou a compilar estes dados em 1994. Ao inquérito deste ano responderam cerca de 50 000 pessoas com idades entre os 20 e os 79 anos.

 

A diminuição do número de cães poderá estar relacionada com o facto de estes animais precisarem de ser passeados diariamente, uma actividade para a qual nem todas as famílias têm tempo.

 

Por outro lado, a relação entre os japoneses e os gatos é muito antiga. As famílias das classes mais altas têm gatos como animais de estimação há mais de 1000 anos. As damas da corte tinham o hábito de lhes colocar coleiras vermelhas com um pequeno sino para saberem por onde eles andavam.

 

Os felinos fazem também parte da cultura popular, sendo personagens principais de obras literárias ou pinturas. Os gatos japoneses mais famosos são a Hello Kitty (adorada por milhões de pessoas em todo o mundo) e o Maneki-neko («gato a acenar», em tradução livre), e que dizem trazer sorte aos negócios.

 

maneki-neko é o gato da sorte na cultura japonesa
Réplicas do Maneki-neko com a pata direita levantada atraem dinheiro e saúde

Maneki-neko, o gato da sorte

Reza a lenda que o verdadeiro Maneki-neko, ou melhor, a verdadeira, nasceu no templo de Gotokuji, em Tóquio. Chamava-se Tama e vivia com um monge budista nesse templo decadente, onde chovia e pouco havia o que comer.

 

Um dia, um samurai regressado de uma batalha foi surpreendido por uma forte tempestade e abrigou-se debaixo de uma árvore próxima do templo. Enquanto esperava que a chuva parasse, Li Nakota viu um gato sentado com uma das patas da frente a acenar-lhe.

 

Curioso, o samurai dirigiu-se-lhe. Quando chegou ao templo, um relâmpago atingiu a árvore na qual tinha estado recolhido. Percebendo que o gesto de Tama o tinha salvado, Li Nakota entrou no templo para rezar e ofereceu ao monge todo o dinheiro que levava consigo.

 

A partir de então, o Gotokuji passou a ser o templo oficial da família Nakota. No local, foi esculpida uma estátua da gata com uma pata levantada. Ainda nos dias de hoje é possível encontrar várias réplicas de Tama no templo deixadas por pessoas que querem ver os seus desejos concretizados.

 

Diz ainda a lenda que os gatos com a pata direita levantada atraem dinheiro e saúde; com a pata esquerda, clientes e prosperidade.

 

Em várias cidades japoneses é possível também encontrar cafés cat-friendly, onde estes animais são bem-vindos. Estes estabelecimentos são o paraíso para os amantes dos gatos. Aqui, é possível degustar um café enquanto se mima ou se brinca com um deles.

 

Já para não falar nas ilhas de Tashirojima ou de Aoshima, popularmente conhecidas como as ilhas dos gatos. A ilha de Tashirojima ficou extremamente danificada na sequência do terramoto, seguido de tsunami, que atingiu o Japão em 2011, mas a maioria dos gatos sobreviveu.

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