EUA

Owney, a mascote dos serviços postais americanos

Nos nove anos que «trabalhou» nos correios dos EUA, Owney percorreu cerca de 230 000 quilómetros. Era considerado um amuleto da sorte: os comboios nos quais viajava não descarrilavam
Fátima Mariano
Owney foi a mascote dos serviços postais americanos durarte nove anos
Owney viajou pelos 48 estados americanos
Em cada estação dos correios por onde passava, era-lhe oferecida uma placa. Terá coleccionado mais de mil (Foto: Public Domain)

No final do século XIX, os serviços postais americanos «contrataram» um empregado muito especial: Owney, um cão de raça border terrier, que se tornou uma verdadeira celebridade.

 

Owney nasceu em 1887. Era um cão de rua, até ser adoptado por um empregado do posto dos correios de Albany, em Nova Iorque, quando tinha cerca de um ano de idade.

 

Ia frequentemente com o dono, Owen, para o trabalho e adorava dormir em cima das malas do correio. Embora fosse proibida a presença de animais no posto, o supervisor permitiu que o cachorro por lá continuasse.

 

Quando o dono foi transferido, Owney ficou em Albany. Começou a seguir as malas por todo o sistema de distribuição do correio. Os colegas consideravam-no o seu amuleto da sorte.

 

Os comboios nos quais viajava nunca descarrilavam (algo muito comum na época) e ele não deixava ninguém, a não ser os empregados dos correios, mexerem nas malas.

 

Em 1893, Owney desapareceu. Os colegas de Albany julgaram-no morto, mas afinal, tinha ficado retido no Canadá, devido a um acidente. Para evitar incidentes semelhantes no futuro, colocaram-lhe uma coleira e uma placa na qual podia ler-se «Owney, Posto dos Correios, Albany, Nova Iorque».

 

Memória preservada

Owney morreu em ToledoA partir de então, os empregados das estaões dos correios por onde ele passava colocavam-lhe uma placa na coleira. Até que o presidente da empresa, John Wanamaker, um dos seus maiores admiradores, decidiu oferecer-lhe um colete para que as placas não lhe pesassem tanto no pescoço. Também o nomeou mascote oficial dos Serviços Postais.

 

Quando o número de placas era excessivo, eram removidas algumas e enviadas para Albany ou para Washington D.C., onde se situava a sede da empresa. Algumas fontes dizem que Owney terá coleccionado 1017 placas.

 

Nos nove anos que esteve nos Serviços Postais viajou pelos 48 estados americanos. Em 1895, andou também pelo Japão, China e Egipto a convite do empresário americano George Francis Train (de quem se diz ter inspirado a personagem Phileas Fogg do livro A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Júlio Verne). Ao todo, terá percorrido cerca de 230 000 quilómetros.

 

Owney morreu no dia 11 de Junho de 1897 em Toledo (Ohio), na sequência de um ferimento de bala. Tinha 10 anos de idade e as circunstâncias em que a sua morte ocorreu nunca foram devidamente esclarecidas.

 

O Chicago Tribune noticiou que Owney atacou um funcionário dos correios e que o xerife disparou, matando-o, naquilo que o jornal classificou como uma «execução».

 

Os empregados dos correios promoveram uma recolha de fundos para que o seu cadáver fosse preservado. O seu corpo taxidermizado foi colocado na sede dos Serviços Postais em Washington D.C.

 

Em 1911, foi transferido para o Instituto Smithsonion. Ainda hoje pode ser visto no átrio do National Postal Museum com o seu colete e várias das suas placas.

 

Em 27 de Julho de 2011, o Serviço Postal americano emitiu um selo comemorativo em sua homenagem da autoria de Bill Bond.