Alerta

Turistas estão a transmitir doenças às aves da Antárctida

Análise às fezes de 666 aves adultas de 24 espécies revelou a presença de agentes patógenos transmitidos pelos humanos. Cientistas apelam à tomada de medidas
Bichos
pinguins da Antárctida
pinguins da Antárctida
Populações de aves da Antárctida poderá estar ameaçadas devido a doenças transmitidas pelo Homem (foto: BDougherty/Pixabay)

Os turistas e os investigadores que visitam a Antárctida poderão estar a transmitir agentes patogénicos aos pinguins. Esta nova forma de transmissão de infecções de humanos para animais foi descoberta através da análise das fezes destes animais. Os cientistas receiam de que as colónicas destas aves poderão ficar em risco ou mesmo extinguir-se, avança a Science Magazine.

Os investigadores recolheram amostras fecais de 666 aves adultas de 24 espécies diferentes em todo o oceano Antárctico, incluindo de pinguins-saltadores-da-rocha, albatrozes-de-nariz-amarelo-do-Atlântico, petréis-gigantes e mandriões.

«Os pinguins são muito fortes… e os mandriões são extremamente inteligentes», sublinha Jacob González-Solís, biólogo ambiental e evolucionista da Universidade de Barcelona, que participou no estudo.

As amostras foram recolhidas entre 2008 e 2011 em quatro locais distintos: na ilha de Livingston, na Península Antárctida; e nos postos avançados do Oceano Austral da Ilha de Marion, Ilha Gough e Ilhas Faulkland. Todos estes locais fazem parte das rotas de migração destas aves marinhas.

Apesar se situarem em zonas remotas e inóspitas do planeta, estas aves têm cada vez mais contacto com os seres humanos, devido ao aumento do turismo e de equipas de investigação.

A partir das amostras fecais, os cientistas isolaram e identificaram espécies bacterianas e compararam-nas com estirpes em humanos e animais domésticos. A presença de estirpes de salmonela e de Campylobacter jejuni (que causa intoxicação alimentar), entre outras, comprovou a teoria de que os seres humanos estão a transmitir agentes patogénicos a estas aves.

 

Medidas urgentes

«Muitas vezes, pensamos os ambientes polares como sendo muito frios e que a transmissão de doenças não é uma grande ameaça, mas os autores têm claras evidências de que as bactérias podem espalhar-se amplamente e ambientes polares», alerta Kyle Elliot, da Universidade McGill, em Montreal (Canadá), que não esteve envolvido na pesquisa.

Por seu turno, González-Solís diz que embora aquelas duas bactérias não matem a maioria dos animais infectados, os patógenos podem ter consequências «devastadoras» para as colónias de aves da Antárctida, porque é a primeira vez que a maioria das aves está exposta a estas estirpes.

Os autores do estudo defendem que os governos e as organizações científicas precisam de tomar medidas urgentes para limitar os impactos humanos na Antárctida. Como restringir o transporte de lixo doméstico.

«Estamos obcecados com o potencial de novas doenças serem transmitidas ao Homem pelos animais selvagens e originarem uma epidemia. Mas a verdade é que a transmissão de novas doenças dos seres humanos aos animais tem sido mais desastrosa», sublinha Kyle Elliot.

E acrescenta: «Uma das razões pelas quais a Antárctida continua protegida é por causa do lobbying do turismo e dos grupos científicos. Embora devamos fazer tudo o que seja possível para reduzir a transmissão, é difícil acreditar que iremos conseguir parar o turismo e as expedições científicas. Por isso, é difícil de acreditar que os humanos não vão continuar a transmitir patógenos.»

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