Transporte aéreo

Cada vez mais americanos voam com animais de apoio emocional

Companhias aéreas estão a restringir as espécies aceites nos aviões na sequência de várias queixas. Há quem tente viajar com pavões e cabras de apoio emocional
Bichos
Há cada vez mais americanos a voarem com animais de apoio emocional
Há cada vez mais americanos a voarem com animais de apoio emocional
Nos EUA, as pessoas com distúrbios psicológicos podem fazer-se acompanhar de um animal de apoio emocional (foto: Pexels/Facebook)

Nos Estados Unidos da América (EUA), há cada vez mais pessoas a viajarem de avião com animais de apoio emocional. Segundo a revista Slate, entre 2016 e 2017, só a companhia aérea United Airlines registou um aumento de 77% destes passageiros especiais. Que viajam gratuitamente e em primeira classe com os donos para evitar distúrbios na classe económica.

No início de Novembro, por exemplo, um passageiro da Delta Air Lines queixou-se por ter sido obrigado a viajar num banco debaixo do qual se encontravam dejectos de um cão de apoio emocional que se tinha sentido mal no voo anterior. Na sequência deste incidente, a companhia aérea apertou as regras relacionadas com estes animais.

Já houve passageiros que pediram indeminizações às transportadoras aéreas por terem sido mordidos por cães de apoio emocional durante os voos.

Para evitar problemas deste e de outro género, o ministro americano dos Transportes anunciou na primavera que iriam ser adoptadas novas regras. Mas seis meses depois, continua tudo na mesma.

 

Pavão e cabra de apoio emocional

Nos EUA, os animais de apoio emocional podem ser de diversas espécies. Desde cães, a gatos, porcos, iguanas, ratos, entre tantos outros. No ano passado, a United Airlines viu-se obrigada a limitar o tipo de espécies depois de um passageiro exigir voar com o seu pavão de apoio emocional. Mesmo na posse de toda a documentação obrigatória, Dexter teve que viajar com o dono de carro entre Newark e Los Angeles.

Já em Fevereiro deste ano, uma mulher de 21 anos afogou o hamster na casa-de-banho do aeroporto de Baltimore depois de ver recusado o seu embarque num avião da Spirit Airlines. Belen Aldecosea contou à imprensa que contactou previamente a empresa para se certificar que Pebbles podia viajar com ela. Das duas vezes recebeu respostas positivas.

Quando tentou embarcar, foi proibida a entrada do animal no avião. Segundo ela, um dos funcionários da transportadora aconselhou-a a afogar o hamster na casa-de-banho se não queria perder o voo, o que ela acabou por fazer. Confrontada pelos jornalistas, a Spirit Airlines negou que um seu trabalhador tenha dito isso.

A American Airlines foi obrigada a recusar o transporte de uma cabra como animal de apoio emocional, embora ainda aceite cavalos miniatura. Em Julho, a companhia publicou novas regras, que proíbem estes animais de ocuparem um assento ou de comerem os alimentos colocados nos tabuleiros. Os donos dizem que as normas colocam em causa o bem-estar animal.

 

O que é um animal de apoio emocional?

Os animais de apoio emocional fornecem conforto aos donos e não recebem qualquer tipo de treino. Ao contrário dos animais de assistência (como Sully, o cão do antigo presidente americano George H. W. Bush), que são ensinados a realizar pequenas tarefas, como abrir gavetas e portas ou realizar chamadas de emergência.

Nos EUA, é possível viajar de avião com um animal de apoio emocional desde 1986. A Air Carrier Access Act permite que pessoas com distúrbios mentais possam embarcar com um animal, sem que este pague bilhete.

No entanto, as companhias aéreas dizem que muitos passageiros se aproveitam da legislação para viajarem com os seus animais de companhia sem pagarem ou para evitarem que estes viagem no porão, onde muitos têm morrido ou visto a sua vida colocada em perigo.

Por outro lado, muitos dos outros passageiros sentem-se ameaçados pela presença destes animais ou são alérgicos ao seu pêlo ou saliva.

Várias transportadoras exigem um documento assinado por um psicólogo que confirme a necessidade de a pessoa viajar com um animal de apoio emocional.

Há muito que a indústria reclama também poder exigir um documento assinado por um médico veterinário que garanta o bom comportamento do animal em público, mas a Associação Americana de Médicos Veterinários afirma que nenhum profissional pode afirmar isso.

 

Os animais gostam de voar?

Inúmeros estudos científicos têm concluído que os animais de apoio emocional têm um efeito positivo no bem-estar psicológico e fisiológico dos seres humanos. Mas será que é agradável para eles viajarem de avião?

Viajar num espaço fechado, sujeito a multidões e a ruídos elevados pode ser estimulante, mas também assustador. Principalmente se o animal não estiver habituado a este tipo de ambientes.

Durante um estudo realizado em 2002 com 24 cães de raça beagle, os investigadores verificaram que o nível de cortisol no sangue e na saliva era muito maior durante o voo do que no seu estado normal, o que era sinal de que estavam stressados.

Se um animal estiver ansioso ou inquieto, a probabilidade de rosnar ou de morder é maior, especialmente se se sentir encurralado ou estiver preso.

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