Medicina

Blat, o cão que acerta mais nos diagnósticos de cancro do pulmão do que os médicos

Blat participa num estudo do Hospital Clínic, em Barcelona, que pretende aperfeiçoar as técnicas de detecção precoce do cancro do pulmão
Bichos
Blat consegue detectar as amostras de doentes com cancro do pulmão
Blat consegue detectar as amostras de doentes com cancro do pulmão
Investigadores querem descobrir que moléculas é que Blat cheira para desenvolverem um nariz electrónico (foto: EFE/YouTube)

Em Espanha, há um cão cujo olfacto lhe permite detectar cancros do pulmão de forma mais eficiente do que os médicos. A sua capacidade de diagnóstico está de tal forma desenvolvida que os investigadores do Hospital Clínic, em Barcelona, tentam identificar as moléculas que ele cheira para poderem desenvolver um nariz electrónico.

Blat, cão cruzado de labrador retriever com pit bull, com quatro anos de idade, é o protagonista de estudo que está a ser desenvolvido por Ángela Guirao, do serviço de cirurgia torácica do Hospital Clínic. O objectivo é aperfeiçoar as técnicas de detecção precoce do cancro do pulmão.

Na primeira fase do estudo, cujos resultados foram publicados no ano passado na revista científica European Journal of Cardio-Thoracic Surgery, Blat acertou em 95% dos casos, mesmo quando o tumor tinha apenas quatro milímetros de diâmetro.

Segundo o jornal La Razón, a dona e treinadora, Ingrid Ramón, recompensa-o com comida sempre que ele cheira uma amostra de tecido impregnada com a respiração de um paciente.

No entanto, os resultados da segunda fase foram ainda mais promissores. Divulgados em Novembro, durante o Congresso de Cirurgia Torácica em Barcelona, revelaram que a capacidade de Blat em acertar no diagnóstico melhorou.

Os médicos operaram 30 doentes com nódulos sobre os quais havia suspeita de serem cancerígenos. Depois das intervenções cirúrgicas concluíram que três dos pacientes não tinham cancro. Blat acertou em 100% apenas cheirando as amostras.

 

Reforço positivo

A dona de Blat, que dirige a empresa Argus Dogs, já colaborava com o hospital num projecto sobre diabetes. Foi o director deste projecto, o endocrinologista Ramon Gomis, quem a pôs em contacto com Laureano Molins, o chefe do serviço de cirurgia torácica.

Blat aprendeu a identificar as amostras de doentes com cancro do pulmão em apenas seis meses, de acordo com o jornal La Vanguardia. Para isso, Ingrid Ramón utilizou a técnica do reforço positivo. Ou seja, se a amostra fosse de um doente com cancro, o cão era recompensado com comida. Caso contrário, não recebia nada.

Blat aprendeu ainda que para ser recompensado tinha que se sentar. O que significava que sempre que ele se sentava, era sinónimo de que o diagnóstico era positivo.

As amostras consistem em tecidos de lã para os quais os pacientes exalaram ar e que são conservadas em tubos hermeticamente fechados.

Na primeira fase do estudo, Blat cheirou 785 amostras durante um ano. A maioria pertencia a pessoas com cancro do pulmão, mas também havia de doentes com outras patologias e até de pessoas sãs.

Ao jornal La Vanguardia, Ingrid Ramón referiu que embora os cães de raça pit bull e rotweiller tenham fama de ser agressivos, «são cães com capacidades brilhantes, que gostam de trabalhar, de brincar e de comer» e que «quando estão bem socializados, são tão bons como qualquer outro cão».

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