Denúncia

30 milhões de animais criados em França todos os anos para serem caçados

São sobretudo faisões, perdizes, patos, lebres e veados. Caçadores justificam medida com a necessidade de compensar a perda de biodiversidade
Bichos
Faisões criados em França para serem caçados
Faisões criados em França para serem caçados
As crias dos faisões e das perdizes vivem as primeiras semanas de vida na mais completa escuridão

Mais de 30 milhões de animais são criados anualmente em quintas, em França, para depois serem libertados na natureza e caçados. São sobretudo faisões (14 milhões), perdizes cinzentas e vermelhas (cinco milhões), mas também patos, lebres e até veados.

A denúncia foi feita esta quarta-feira pela ASPAS, uma associação de protecção de animais silvestres. Durante vários meses, esta organização recolheu imagens em nove quintas em toda a França que prova as condições em que esses animais são mantidos em cativeiro.

Segundo a ASPAS, muitos acabam por morrer quando enfiam a cabeça nas grades das gaiolas e não conseguem tirá-las; ou esmagados uns contra os outros ou quando colidem com postes e vigas.

A associação lançou esta quarta-feira uma petição exigindo o fim da criação de animais para este fim. «Estima-se que um em cada quatro animais caçados é de reprodução», disse ao jornal Le Parisien Madline Raynaud, presidente da ASPAS.

«Estes animais crescem em condições terríveis e colocam sérios problemas ambientais e sanitários, como o risco de contaminação da gripe aviária», alertou a mesma responsável.

Se no habitat natural encontramos dois a três pares de faisões ou perdizes por hectare, nas quintas, estes animais ficam confinados a espaços de 2,5 metros quadrados. Para evitar que se ataquem uns aos outros, são-lhes colocadas uma cobertura nos bicos. As crias vivem na escuridão completa nas primeiras semanas.

«Isto nada mais é do que tortura», sublinhou Madline Raynaud.

 

Caçadores refutam acusações

Thierry Coste, porta-voz da Federação Nacional de Caça, refutou todas as acusações ao mesmo jornal: «Isso é completamente falso. As condições são necessariamente boas, já que, ao contrário das pecuárias, o objectivo é que estes animais sejam capazes de correr, voar e movimentarem-se livremente quando são libertados».

Os caçadores insistem na necessidade de reproduzir e devolver à natureza mais animais, especialmente para estimular a reprodução de faisões no seu habitat natural.

«O nosso sonho é parar estes lançamentos», explicou Thierry Coste. «O objectivo é compensar a perda de biodiversidade devido à agricultura intensiva, que quebra os territórios das espécies silvestres e mata os insectos, o principal alimento das aves».

Para a ASPAS, esse é um falso argumento. A prova é o facto de os animais serem libertados no início da época de caça e quase nunca uns meses antes, o que permitiria a sua reprodução.

Estes dados são confirmados pela Agência Nacional de Segurança Alimentar, Meio Ambiente e Trabalho, segundo o Le Parisien. Um relatório de 2016 indica que «a mortalidade por caça geralmente ocorre em poucas horas e alguns dias após os lançamentos».

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