Ameaça

Espanha pode recorrer a snipers para controlar praga de caturritas

Nativas da América do Sul, estas aves estão a causar graves prejuízos ambientais nas cidades mais populosas. Recurso a atiradores profissionais pode ser uma forma de reduzir o número de exemplares
Bichos
Caturritas tornaram-se uma praga em Espanha
Caturritas tornaram-se uma praga em Espanha
Cada fêmea pode pôr 11 ovos em cada postura e sete das crias chegam à idade adulta (foto: Chris Aus Bayern/Pixabay)

As autoridades espanholas poderão contratar snipers para controlarem as populações de caturritas (Myiopsitta monachus), que se tornaram verdadeiras pragas em algumas cidades. A proposta, apresentada por um grupo de peritos, já mereceu a crítica dos partidos Podemos e Pacma.

Nativas da América do Sul, as primeiras caturritas chegaram a Espanha na década de 70 do século XX como animal de estimação. Muitas, porém, acabaram por ser libertadas, acabando por se tornar uma praga. Uma fêmea chega a pôr 11 ovos por postura e sete das crias chegam à idade adulta. Além da taxa de sobrevivência ser alta, a esperança média de vida é de 20 anos.

Segundo o jornal La Vanguardia, em 2015, estimava-se que o número destas aves ascendia às 30 mil. Basta caminhar pelas zonas verdes das principais cidades espanholas para vê-las e ouvi-las. Madrid, Barcelona e Málaga são as localidades onde as populações de caturritas são mais numerosas.

Dailos Hernández-Brito, investigador da Estação Biológica de Doñana, explicou à agência de notícias Efe que estas aves têm um impacto negativo na agricultura (destroem as culturas) e transmitem doenças como a psitacose (também conhecida por febre dos papagaios).

Além disso, acrescentou o mesmo investigador, são uma ameaça para a fauna local (muita da qual é protegida), além da poluição sonora que geram (são aves muito ruidosas) e do perigo de os ninhos caírem das árvores (podem pesar até 50 quilos).

 

Espécie invasora

Neste momento, a caturrita está classificada como espécie invasora em Espanha. Em 2011, foi proibida a sua venda no país, numa tentativa de controlar a população. Outras medidas foram tomadas, sem sucesso.

Na semana passada, um grupo de peritos esteve reunido no Fórum Ambiental da UNED – Universidade Nacional de Ensino a Distância, em Madrid, para discutir novos métodos de reduzir o número de indivíduos.

Dailos Hernández-Brito defende que o comércio desta espécie deve se regulado, proibindo-se a sua importação e a sua manutenção como animal de estimação.

Nos locais onde as populações já estejam fixadas, propõe a instalação de armadilhas (mais funcional, mas que implica um maior investimento de tempo e de dinheiro) ou disparos a cargo de profissionais (solução que, acredita, permite alcançar resultados num prazo mais curto).

Esta última solução, já criticada por alguns partidos, deverá ser realizada sob a supervisão da Polícia e dentro da lei, acrescenta.

 

Que soluções?

Partidos como o Podemos e o Pacma já vieram a público rejeitar esta última opção. Em alternativa, propõem a captura das aves e a sua colocação em gaiolas.

Os peritos, por seu lado, rejeitam esta solução. Por um lado, a lei espanhola apenas permite que estas aves só podem estar em cativeiro para fins científicos. Por outro lado, dizem, não existiriam gaiolas suficientes.

Em Sevilha, alguns grupos de protecção ambiental sugeriram destruir os ninhos. No entanto, os especialistas consideram que a solução não iria ter resultados uma vez que estas aves os reconstroem muito facilmente.

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