Salvamento

Cão mordido por cobra venenosa na Argentina para salvar três crianças

Simón correu risco de vida porque na província onde vive, o antídoto só está disponível para os seres humanos. Dona teve que apelar ao secretário de Estado do Ambiente
Bichos
Cão mordido por cobra na Argentina
Cão mordido por cobra na Argentina
A urutu é uma cobra venenosa que existe no Brasil, Paraguai, Uruguai e na Argentina (foto: Cláudio Timm/Wikipedia)

Um cão foi mordido por uma cobra venenosa na Argentina quando tentava salvar as três crianças da família. Simón chegou a correr risco de vida.

O caso aconteceu na noite de quinta-feira no bairro de El Challao, na cidade de Las Heras. As três crianças de 8, 5 e um ano de idade estavam a brincar no pátio, pelas 21 horas, quando os seis cães da família começaram a ladrar insistentemente.

«Eu estava na lavandaria quando os meus filhos começaram a gritar muito assustados», contou ao jornal Los Andes Valeria Centeno. «Saio e levo os meus filhos para casa. Duas horas depois, quando fui dar água aos animais, notei que Simón tinha a cabeça inchada e estava com dificuldades de respiração».

A família levou de imediato o animal ao médico veterinário, que lhe administrou soro e um corticóide para proteger os rins. Pela descrição das crianças, concluíram que a cobra seria da espécie urutu (Bothrops alternatus), comum em algumas zonas do Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina.

Sendo uma cobra venenosa, o médico veterinário recomendou que fosse administrado a Simón um antídoto. No entanto, naquela província argentina, o soro antiofídico é reservado apenas para seres humanos. No hospital local informaram Valeria Centeno de que até para estes existiam poucas doses.

 

Contra-relógio

A situação clínica de Simón era bastante grave e caso não fosse devidamente medicado nas 12 horas seguintes à mordedura, podia morrer. O Hospital Lencinas recusou disponibilizar uma dose de antídoto. No Jardim Zoológico, não havia o medicamento.

Preocupada e a correr contra o relógio, Valeria Centeno contactou o secretário de Estado do Ambiente, Humberto Mingorance. «Disse-me que ia conseguir o medicamento. Já eram 10 horas. Não tinha muitas opções, só esperar que fizesse efeito embora já tivessem passado as 12 horas», contou ao mesmo jornal.

No Hospital Lencinas, deram-lhe o antídoto juntamente com «uma lição de moral»: «Perguntaram-me se estava consciente de que estava a tirar uma dose a uma pessoa para dá-la ao meu cão». Ao que Valeria respondeu: «Respeito a vida do ser humano, mas também a dos meus animais de estimação. Se não fossem eles, a cobra podia ter mordido os meus filhos. O meu cão atacou a urutu para protegê-los».

 

Em recuperação

Simón recebeu o antídoto no sábado, mais de 12 horas após o ataque, mas continua vivo. Está a fazer um tratamento com antibióticos e o seu estado clínico está a evoluir favoravelmente. A única incerteza, neste momento, prende-se com o efeito que o veneno poderá ter tido nos seus rins.

Depois desta experiência, Valeria Centeno apelou ao município que faça o possível para esterilizar os animais errantes. Todos os seus cães foram retirados das ruas. Pediu também aos médicos veterinários para que tenham sempre antídotos para combater o veneno de diversas espécies.

Segundo o mesmo jornal, todos os anos, 13 pessoas são mordidas por esta espécie de cobra.

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