Poluição

Cachalote encontrado morto na Indonésia com seis quilos de plástico no estômago

No interior do cadáver foram descobertos 115 copos, 25 sacos, quatro garrafas e dois pares de chinelos de enfiar no dedo, entre outros objectos de plástico
Bichos
Cachalote tinha seis quilos de plástico no estômago
Cachalote tinha seis quilos de plástico no estômago
O cachalote, com 9,5 metros de comprimento, foi encontrado na segunda-feira ao largo da ilha indonésia de Kapota

Um cachalote (Physeter macrocephalus) foi encontrado morto, na segunda-feira, ao largo da Indonésia com quase seis quilos de plástico no estômago. O cadáver, com cerca de 9,5 metros de comprimento, deu à costa junto ao Parque Nacional Wakatobi, na ilha de Kapota.

No interior do estômago do cachalote foram descobertos 115 copos, 25 sacos, quatro garrafas e dois pares de chinelos de enfiar no dedo, entre outros objectos de plástico. Não se sabe qual a causa da morte do animal, devido ao avançado estado de decomposição do corpo.

«Embora não consigamos deduzir a causa da morte, aquilo que vimos é horrível», disse à Agência France Press Dwi Suprapti, co-coordenadora de conservação de espécies marinhas da World Wildlife Foundation na Indonésia.

A presença de plástico dos oceanos é uma das maiores ameaças à vida marinha. Em Abril deste ano, um cachalote com 10 metros de comprimento foi encontrado morto numa praia espanhola com 29 quilos de plástico no estômago. Dois meses depois, uma baleia-piloto (Globicephala) morreu no sul da Tailândia depois de ter engolido 80 sacos de plástico, num total de oito quilos.

 

Os cinco mais poluidores

Este tipo de poluição é particularmente preocupante no Sudeste Asiático. Segundo um relatório de 2015 elaborado pela associação Ocean Conservancy e pela McKinsey Center for Business and Environment, os cinco países asiáticos mais poluidores são a China, a Indonésia, as Filipinas, o Vietname e a Tailândia.

A Indonésia é o segundo maior poluidor do mundo. Todos os anos, lança no mar cerca de 1,4 milhões de toneladas de plástico no oceano. O governo já prometeu investir cerca de mil milhões de dólares anuais para reduzir a produção de resíduos de plástico.

No final do ano passado, a Organização das Nações Unidas alertou para o facto de a vida marinha estar a enfrentar «danos irreparáveis». Todos os anos, estima-se que cerca de 10 milhões de resíduos de plástico acabem no mar. Em algumas zonas, o ajuntamento é tal que forma verdadeiras ilhas.

 

Morte lenta

Na água, os sacos de plástico são muitas vezes confundidos com alimento e acabam por ser ingeridos por várias espécies de animais (incluindo aves). Os animais acabam por morrer sufocados (quando o plástico fica preso na traqueia) ou por desnutrição (o estômago fica cheio de lixo e o animal fica com a falsa sensação de que está saciado).

Além das toneladas de plástico largadas no mar, há ainda que contar com os artefactos de pesca, como as linhas e as redes. As redes abandonadas são responsáveis pelo ferimento e morte de muitos animais marinhos, desde golfinhos, tartarugas, crocodilos, focas, entre outros.

No final de Agosto deste ano, uma baleia-jubarte (Megaptera Novaeangliae) perdeu a cauda, depois desta ter ficado enrolada numa rede de pesca. O animal, um juvenil, foi encontrado ao largo da cidade colombiana de Nuqui gravemente ferido e os ambientalistas não sabiam se iria sobreviver.

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