Debate

Activista inglesa defende substituição dos cães-guia pela tecnologia

Numa entrevista televisiva, Wendy Turner-Webster considerou «imoral» que se utilizem os animais como máquinas sem que eles dêem o seu consentimento
Bichos
Substituir cães-guia por máquinas


Uma activista inglesa dos direitos dos animais defendeu esta semana que os cães-guia (e outros) deveriam ser substituídos pela tecnologia. Isto porque, argumenta Wendy Turner-Webster, eles não dão o seu consentimento para serem utilizados como animais de trabalho.

No programa Good Morning Britain, do canal de televisão ITV, Wendy Turner-Webster considerou «imoral» o facto de os seres humanos utilizarem os animais para os ajudar nas suas tarefas diárias. E pediu que se páre de usar os animais como máquinas.

Embora a sua preocupação maior seja com o bem-estar dos cães-guia, a mesma activista afirmou que o princípio se aplica também aos outros animais de trabalho, como os cães-polícia ou de segurança.

A posição de Wendy Turner-Webster, que é vegana, não se prende com o facto de considerar que os animais são infelizes quando desempenham essas tarefas, mas por muitas vezes serem sujeitos a situações perigosas.

Substitui-los por verdadeiras máquinas eliminaria o problema ético, defende.

 

Bem-estar dos cães-guia

Wendy Turner-Webster, que é também jornalista e apresentadora de televisão, acredita que um quarto dos cães treinados para conduzirem invisuais acaba por ser rejeitado e encaminhado para abrigos.

Além do mais, acrescentou, nem todos os tutores têm condições para ficarem com os seus cães-guia quando estes se reformam.

Turner-Webster assegurou que não pretende a proibição dos cães-guia, mas lembrou que nem todas as pessoas portadoras de deficiência visual se adaptam a eles.

Um dos apresentadores do programa, Pier Morgan, contestou os argumentos da colega, particularmente a questão do consentimento. «Treinou o seu cão? Conseguiu que ele desse o seu consentimento para se sentar? Para obedecer às suas ordens humanas?», perguntou.

«Os cães-guia sempre me pareceram felizes e as pessoas que eles ajudam também me parecem felizes. Porque não continua a montar o seu cavalo sem o consentimento dele, a dizer ao seu cão o que ele deve fazer sem o consentimento dele, e deixa as pessoas cegas a terem os cães que as ajudam?», criticou Pier Morgan.

 

Robôs-guia

Em Abril de 2015, uma equipa conjunta de cientistas do King’s College London e da Univesidade Sheffield Hallam apresentaram o protótipo de um pequeno robô móvel, que no futuro poderá auxiliar os bombeiros e as pessoas portadoras de deficiência visual.

O robô será uma ajuda importante nos casos em que os bombeiros têm que entrar em edifícios onde a visibilidade é reduzida ou nula devido ao fumo.

Através de micro-sensores electrónicos instalados numa luva especial, os bombeiros receberão os sinais enviados pela máquina e agirão de acordo com estes. No caso de sentir alguma hesitação por parte do bombeiro, o robô ajustaria o seu ritmo.

Durante a fase de ensaios, a equipa de investigadores também colocou pessoas invisuais a interagirem com estes robôs-guia para perceber os níveis de confiança entre humanos e máquinas.

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