Moda

Jean Paul Gaultier deixa de usar peles naturais nas suas colecções

Estilista francês considera «absolutamente deploráveis» os métodos utilizados para matar os animais. Fabricantes de pele estão contra a decisão
Bichos
Jean Paul Gaultier deixa de usar peles
Jean Paul Gautier deixa de usar peles
Todos os anos, cerca de 140 milhões de animais de várias espécies são mortos apenas por causa da sua pele (foto: StokcSnap/Pixabay)

O estilista francês Jean Paul Gaultier anunciou este fim-de-semana que não vai usar mais peles naturais nas suas colecções. A decisão foi conhecida este sábado durante a participação de Gaultier no programa Bonsoir, do Canal +. Activistas dos direitos dos animais aplaudem o anúncio.

Aquele que é um dos mais conceituados criadores de moda do mundo junta-se, assim, ao grupo de estilistas que renunciou ao uso de peles naturais nas suas colecções. De entre estes, destacam-se Stella McCartney, Vivienne Westwood e Ralph Lauren.

Pele de pitão, de coelho, raposa ou de cordeiro eram alguns dos materiais que podiam ser vistos nos desfiles do enfant terrible da moda. Jean Paul Gaultier explicou que muitas das peles que utilizou ao longo da sua carreira eram recicladas. Contudo, até estas vai deixar de usar, uma vez que considera os métodos utilizados para matar os animais «absolutamente deploráveis».

«É verdade que as peles naturais são mais sensuais – é lamentável dizê-lo – do que as peles sintéticas. Mas é possível encontrar formas alternativas de nos mantermos quentes”, sublinhou o estilista, de 66 anos de idade.

 

Activistas aplaudem

A organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA, sigla em inglês) considera esta uma «excelente notícia».
Gaultier foi muitas vezes o alvo das críticas desta associação, recorda o jornal Ouest-France. Em 2005, um dos seus desfiles foi interrompido por uma activista que empunhava um cartaz no qual se podia ler «A pele mata».

No ano seguinte, a sua loja em Paris foi invadida por defensores dos direitos dos animais liderados pela fundadora da PETA, Ingrid Newkirk.

A Sociedade Protectora dos Animais, de França, espera que o exemplo de Gaultier «seja rapidamente seguido por outros costureiros e marcas».

«As condições em que são reproduzidos e mortos estes animais representam uma enorme crueldade», disse o presidente daquela associação, Jacques-Charles Fombonne.

 

Jean Paul Gaultier deixa de usar peles
Fabricantes de pele franceses dizem que o estilista tomou a decisão com base em «informações falsas»

Fabricantes desiludidos

Insatisfeitos ficaram os fabricantes de pele franceses. Segundo a Federação nacional, em 2017, o sector teve um volume de negócios na ordem dos 300 milhões de euros e empregou 2500 pessoas.

Os representantes do sector consideram que a decisão do estilista francês foi «baseada em informações falsas propagadas tanto pelos activistas dos direitos dos animais como pelos industriais das peles falsas».

«Para que ele possa tomar uma decisão clara, teríamos muito prazer em mostrar a Jean Paul Gaultier que as técnicas de reprodução e de abate respeitam todas as regulamentações europeias e francesas sobre o tratamento dos animais», referiu a Federação.

 

Milhões de mortes

De acordo com um inquérito realizado em 2016 por diversas associações, entre as quais a PETA e a Fundação Brigitte Bardot, todos os anos morrem cerca de 140 milhões de animais unicamente por causa da pele.

No final do ano passado, o estilista americano Michael Korrs também anunciava o fim das peles e do couro nas suas criações. «Graças aos avanços tecnológicos mais recentes, somos capazes de criar uma estética luxuosa utilizando a pele sintética», explicou na altura.

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