Efeméride

As vítimas (muitas vezes) esquecidas da Grande Guerra: os animais

Mais de 11 milhões de animais, das mais diferentes espécies, foram utilizados durante a Primeira Guerra Mundial como meio de transporte, de comunicação ou como arma
Bichos
Animais na Grande Guerra

Mais de 11 milhões de animais terão participado na Primeira Guerra Mundial, cujo 100.º aniversário do armistício se assinala este domingo. Desde cavalos, a cães, gatos, pombos ou elefantes. Foram utilizados para o transporte de mantimentos, de material bélico e de feridos, como meio de comunicação, mas também como armas.

Apesar de durante a Grande Guerra se ter assistido a um grande desenvolvimento industrial e científico, notório inclusivamente no armamento utilizado, nenhum equipamento construído pelo Homem conseguia ser mais eficaz do que os cães a detectar feridos nos campos de batalha ou os pombos como fotógrafos.

«Eles eram quase combatentes», sublinhou recentemente Serge Barcellini, presidente da associação Le Souvenir Français (A Memória Francesa, em tradução livre), num discurso citado pela ABC News.

Nos diversos países beligerantes, os cidadãos foram obrigados a entregar os seus animais – muitos dos quais eram o seu sustento – ao Exército para que fossem utilizados no esforço de guerra. Alguns deles – como Stubby, um bull terrier do Exército americano – foram condecorados no final do conflito.

 

Jackie, o babuíno

A maioria dos animais requisitados foram equídeos (cavalos, mulas e burros), usados como meio de transporte de e para a frente de batalha. O seu papel foi de tal forma importante que no final do conflito o secretário de Estado da Guerra inglês, Winston Churchill, se empenhou para fazer regressar sãos e salvos cerca de 12 mil cavalos usados pelo Exército nas várias frentes de guerra.

Algumas espécies exóticas foram também envolvidas no conflito. Um dos casos mais famosos é o de um babuíno chamado Jackie, que serviu na 1.ª Brigada de Infantaria do Exército sul-africano no Egipto, em França e na Bélgica.

Jackie destacou-se pela sua visão e audição apuradas, que permitia alertar os militares para ataques inimigos. Quando se apercebia da aproximação de tropas adversárias, gritava e puxava pela roupa dos soldados.

O babuíno foi gravemente ferido em Abril de 1918, tendo uma das suas patas sido amputada.

Em alguns dos países que participaram na guerra – França, Inglaterra, Austrália, Canadá e Bélgica – foram erguidos monumentos em homenagem a estes milhões de animais. Afinal, também eles foram vítimas do conflito mundial que durou entre 1914 e 1918.

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