Economia

Rússia está a produzir super-galinhas para enfrentar eventuais sanções americanas

Esta galinha, maior e mais saborosa, permitiu alimentar milhões de cidadãos russos durante o regime comunista
Bichos
Rússia produz super-galinhas
Rússia produz super-galinhas
A Rússia pretende exportar a nova galinha para as antigas repúblicas soviéticas e para a Ásia

Vladimir Putin autorizou a produção de super-galinhas, tal como as que alimentaram os cidadãos russos durante os últimos tempos do regime comunista. O projecto pretende preparar o país para eventuais sanções americanas e concorrer com dois dos maiores fornecedores ocidentais.

Em declarações à agência de notícias Bloomberg, o presidente da União Aviária da Rússia, Vladimir Fisinin, garantiu que as super-galinhas estão prontas a serem comercializadas. Isto depois de uma série de reveses, como um alegado surto de gripe aviária e o abate de forçado de 200 mil aves no ano passado.

Vladimir Fisinin, de 78 anos de idade, que nasceu numa quinta colectiva na Sibéria, considera que a Rússia deve preparar-se para o pior, tendo em conta a imprevisibilidade do presidente americano, Donald Trump.

Na década de 1970, Fisinin integrou a equipa de especialistas que desenvolveu, na cidade de Serguiev Possad, uma versão maior e mais saborosa da galinha doméstica (Gallus gallus domesticus). A Smena, como era conhecida, permitiu um aumento recorde da produção de carne desta ave, que durou até 1990.

 

Dependência externa

Com o fim da União Soviética, terminou o financiamento ao projecto e no novo país entraram empresas ocidentais, que acabaram por assumir a liderança no comércio dos ovos e carne de galinha.

Embora os Estados Unidos da América não tenham imposto, pelo menos publicamente, restrições à exportação para a Rússia de ovos e de pintainhos, Putin prefere precaver-se. O ovo da galinha é a fonte de proteína mais consumida pelos cidadãos russos.

O líder do projecto Smena, Dmitry Yefimov, mostra-se confiante e acredita que a produção da super-galinha vai ser de tal forma um sucesso que permitirá a sua exportação, primeiro para as antigas repúblicas soviéticas e, mais tarde, para a Ásia.

O cruzamento de raças e as experiências para se alcançar um equilíbrio entre o peso, a taxa de metabolismo, a imunidade a doenças e outros factores, é um trabalho laborioso e que requer tempo.

Mas o Kremlin não está apenas preocupado com as galinhas. Os produtores russos de vacas, porcos, batatas e beterraba (a maior fonte de açúcar do país) já alertaram que estão também dependentes dos insumos genéticos dos Estados Unidos da América e da Europa.

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