Controvérsia

Testes com cães nos EUA implicam retirada de partes do cérebro com o animal vivo

As experiências estão a ser realizados pelo Departamento de Assuntos de Veteranos, agência federal que presta serviços de saúde aos antigos militares das Forças Armadas
Bichos
Testes com cães nos EUA
Testes com cães nos EUA
Os cães são usados em estudos sobre problemas respiratórios e na espinal medula (foto: Tomasz_Mikolajczyk/Pixabay)

O Departamento de Assuntos de Veteranos dos EUA está a realizar experiências laboratoriais com cães, algumas das quais se têm revelado fatais para os animais. Isto apesar da forte contestação do Congresso e de alguns defensores dos antigos militares.

De acordo com esta agência federal que presta serviços de saúde aos veteranos das Forças Armadas dos EUA, estes testes podem conduzir a descobertas que ajudarão os veteranos que sofrem de problemas respiratórios ou na espinal medula.

O jornal USA Today divulgou um conjunto de exemplos de testes que estão a ser realizados. Em Milwaukee, os cientistas removem partes do cérebro dos cães para testarem os neurónios que controlam a respiração. Só depois os animais são mortos com uma injecção.

Em Cleveland, são colocados eléctrodos na espinal medula dos cães para que sejam medidos os reflexos durante a tosse, antes e depois daquele órgão ser cortado.

Já em Richmond, na Virgínia, as experiências implicam o implante de pacemakers nos cães. Os animais são depois obrigados a correrem em passadeiras para que se avalie a sua função cardíaca. Ou são-lhes induzidos ritmos cardíacos anormais. No final, os cães são sacrificados com uma injecção letal ou drenagem do sangue.

 

Experiências vão continuar

O porta-voz do Departamento, Curt Cashour, explicou ao USA Today que as experiências foram aprovadas em 28 de Março pelo antigo secretário, David Shulkin, entretanto demitido pelo presidente americano.

Por seu turno, este referiu que ninguém lhe pediu para rever a autorização, tendo delegado essa responsabilidade nos cientistas que realizam as pesquisas.

Os documentos consultados por aquele jornal indicam que os testes vão continuar. Neste momento, há nove experiências em curso em quatro instalações do Departamento de Assuntos de Veteranos.

Curt Cashour justificou a utilização de cães com o facto de “nenhuma outra espécie fornecer resultados significativos”, sublinhando que “o trabalho é eticamente correcto”.

Vários deputados têm exercido pressão para que as experiências com cães terminem e mostram-se desapontados com a nova liderança do Departamento.

 

Ratos e porcos em vez de cães

Este tema entrou na agenda pública e política na primavera de 2017, quando a associação de defesa animal White Coat Waste Project divulgou documentos que provavam o uso de cães em experiências realizadas em Richmond.

Em Outubro deste ano, a Câmara dos Representantes aprovou por unanimidade legislação que proibia o financiamento destes testes, mas o documento foi travado pelo Senado, depois de uma intensa campanha de oposição promovida pelo Departamento de Assuntos de Veteranos.

Entretanto, alguns estudos foram descontinuados ou suspensos. Os investigadores concluíram que poderiam usar ratos em vez de cães nas experiências em Los Angeles sobre narcolepsias (perturbação neurológica crónica caracterizada pela diminuição da capacidade de regulação do ritmo de sono e de despertar). No Milwaukee, a pesquisa sobre o fluxo sanguíneo passou a ser feito com porcos.

As experiências com animais, de qualquer espécie, têm sido fortemente criticadas nos Estados Unidos da América. Os activistas dos direitos dos animais defendem que a comunidade científica tem que encontrar formas alternativas de realizar as pesquisas.

1 Comentário
  1. Marília Carvalho 4 dias atrás
    Responder

    Inadmissível este procedimento. 😡

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