Investigação

76 mil macacos usados em pesquisas biomédicas nos EUA só em 2017

Número aumentou 22% em dois anos. Cientistas defendem que estes animais fornecem melhores dados do que os cães ou os ratos
Fátima Mariano
76 mil macacos
76 mil macacos
Cientistas queixam-se de que têm tido dificuldade em arranjar primatas não-humanos para os seus estudos (foto: Alexas_Photos/Pixabay)

Cerca de 76 mil primatas não-humanos foram utilizados só no ano passado em pesquisas biomédicas nos Estados Unidos da América (EUA). São mais 22% do que os usados em 2015.

Segundo a revista Science Mag, este aumento deve-se ao facto de os cientistas considerarem que estes animais são mais úteis do que os ratos ou os cães quando são testadas novas drogas ou estudadas doenças que também afectam os seres humanos.

«Penso que o número está em alta porque estes animais dão-nos melhores dados… Precisamos deles mais do que nunca», sublinhou Jay Rappaport, director do Centro Nacional de Pesquisas em Primatas, sedeado em Convington (Louisiana). Aqui, vivem mais de 5000 macacos.

Esta subida resulta também do aumento do financiamento do Instituto Nacional de Saúde, que suporta muita da investigação feita com primatas não-humanos nos EUA.

O número, divulgado em Setembro pelo Departamento de Agricultura, preocupa aqueles que defendem a redução do uso de animais em testes de laboratório.

Thomas Hartung, director do Centro para Alternativas aos Testes em Animais da Universidade de Johns Hopkins, em Baltimore, assegurou à mesma revista que a comunidade biomédica está comprometida em arranjar outras formas de realizar os testes.

 

Aumenta a pressão

As experiências científicas têm estado debaixo de forte contestação. Em 2015, a Universidade de Harvard encerrou o centro nacional de pesquisas em primatas (um dos oito que existiam no país), após uma investigação federal realizada na sequência da morte de quatro dos seus animais.

Em Setembro deste ano, a Universidade Livre da Califórnia confirmou a morte por negligência de seis dos seus animais, como noticiou o jornal Os Bichos.

Neste mesmo ano, o Instituto Nacional de Saúde acabou com o financiamento a estudos invasivos com chimpanzés. A decisão foi tomada após um relatório que garantia que estes animais não eram essenciais nas pesquisas biomédicas.

De acordo com um inquérito realizado pela organização Pew Research Center, 52% dos cidadãos americanos são contra estes testes.

Importar macacos para os EUA é cada vez mais difícil, uma vez que várias companhias aéreas recusam-se a transportar estes animais.

Alguns cientistas queixam-se que tiveram de adiar estudos durante pelo menos seis meses, devido à dificuldade em conseguir primatas não-humanos.

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