Reflexão

Animais-companheiros: que papel desempenham na vida dos humanos?

Nos dias 8 e 9 de Novembro, especialistas em várias áreas do saber vão reflectir sobre o lugar que os animais de estimação ocupam no quotidiano das famílias numa conferência em Lisboa
Fátima Mariano
Animais-companheiros dos humanos
Animais-companheiros dos humanos
A existência de um animal de estimação obriga as famílias a reorganizarem o seu quotidiano (foto: Pexibear/Pixabay)

Os animais que connosco partilham o dia a dia, que papel verdadeiramente desempenham nas nossas vidas? E que papel desempenhamos nós na vida deles?

Esta são apenas algumas das questões que estarão em discussão durante a conferência Animais-companheiros nas vidas dos humanos: desafios sociais e éticos, que se realiza nos dias 8 e 9 de Novembro no Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa. A entrada é gratuita, mas sujeita a inscrição prévia.

Organizado pelo ICS e pelo Centro de Bioética da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, o encontro pretende ser um espaço de reflexão sobre as relações que se têm vindo a estabelecer entre os humanos e os animais domésticos e de que forma as vidas de ambos se têm vindo a alterar.

«Há todo um quotidiano no qual os animais de estimação também são parte activa. Nós vivemos numa relação de colaboração com eles», sublinhou ao jornal Os Bichos Verónica Policarpo, investigadora do ICS.

Como exemplos, refere o facto de as famílias adaptarem a organização das habitações em função das suas mascotes (o local para dormir, para comer, para brincar, etc.) e de muitas terem a preocupação de escolherem locais para férias que também aceitem animais.

 

Resolver problemas

Verónica Policarpo viu, este ano, dois projectos seus relacionados com a temática animal serem aprovados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, o que demonstra o interesse que esta área começa a ter também para a investigação.

O primeiro, que integra oito investigadores e que começou em Outubro, propõe-se estudar a relação entre as crianças e os animais a partir de observações feitas em contexto doméstico. O segundo, um projecto individual, será um estudo comparado entre Portugal, Inglaterra e Itália sobre a relação entre humanos e animais em contexto de desastres naturais. Um tema que se imporá cada vez mais em Portugal, tendo em conta fenómenos como o furacão Leslie ou os fogos florestais de 2017.

A mesma investigadora notou que «há um processo de construção deste campo e da afirmação deste objecto de estudo» em Portugal, para o qual esta conferência pretende contribuir.

Nela participarão especialistas em várias áreas do saber, que irão reflectir sobre as várias problemáticas para também ajudarem quem, depois, aplica o conhecimento na sua prática diária. Como é o caso de quem trabalha com os cães de assistência, que decide a guarda dos animais em caso de divórcio, ou projecta as cidades, por exemplo.

«Pretendemos que o pensamento reflectivo e a investigação ajudem a resolver problemas», conclui Verónica Policarpo.

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