Ciência

Os cães sabem que horas são. Por isso, não se atrase para o passeio

Animais possuem «células do tempo», que são activadas quando esperam que determinadas acções regulares ocorram. Descoberta pode ajudar a perceber melhor as doenças degenerativas
Bichos
Os cães sabem as horas
Os cães sabem as horas
Se se atrasar a levar o seu cão à rua, ele vai saber (foto: Pixabay)

Uma investigação realizada por cientistas da Universidade Northwestern (EUA) encontrou evidências de que os animais têm um relógio interno. O que significa, por exemplo, que o seu cão sabe quando é hora de ser alimentado ou de ir à rua.

Segundo o estudo, publicado na revista Nature Neuroscience, isto acontece graças às «células do tempo». Estas são activadas quando o animal está à espera que ocorram acções que se repetem com uma determinada frequência.

«O seu cão sabe que hoje demorou mais do dobro do tempo a dar-lhe de comer do que ontem? Até agora, não havia uma resposta certa para isso. Trata-se de uma das experiências mais convincentes que demonstram que os animais realmente têm uma representação explícita do tempo nos seus cérebros e que podem medir intervalos de tempo», explicou ao jornal espanhol ABC Daniel Dombeck, professor associado de Neurobiologia da Faculdade de Artes e Ciências de Weinberg de Northwestern.

Sendo essa parte do cérebro responsável pela codificação de informações espaciais em memórias episódicas, a equipa supôs que também poderia desempenhar um papel importante na codificação do tempo. «Cada memória é um pouco diferente, mas há duas características centrais em todas as memórias episódicas: o espaço e o tempo», referiu, por seu turno, James Heys, ao jornal El Espectador.

Novo campo de estudo

Durante a pesquisa, os investigadores concentraram a sua atenção na actividade do córtex entorrinal, uma área localizada no lobo temporal do cérebro dos animais associada ao tempo e ao espaço.

Os ratos utilizados foram submetidos a uma prova, que permitiu aos cientistas perceberem que, de facto, eles têm a noção do tempo.

As cobaias aprenderam a correr num corredor virtual até alcançar uma porta que ficava a meio do percurso. Seis segundos depois, a porta abria, permitindo ao rato chegar à sua recompensa.

Após algumas repetições da prova, a porta foi eliminada e o piso mudado. No entanto, no local onde antes tinha estado a porta, os animais esperaram seis segundos antes de avançarem.

Os resultados permitiram os cientistas concluir que os ratos não só sabiam o local onde tinham que esperar pela abertura da porta (mesmo que esta estivesse invisível), como o tempo que tinham que aguardar até continuarem o seu caminho.

Este estudo não se limita apenas aos ratos ou aos cães. A descoberta destas «células do tempo» poderá abrir um novo campo de investigação sobre a sua influência nas doenças neurodegenerativas (como a doença de Alzheimer) que afectam os seres humanos.

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