Justiça

Buscas na Câmara da Calheta por suspeita do crime de maus-tratos a animais de companhia

A investigação foi desencadeada por uma denúncia apresentada em Maio, segundo a qual a autarquia mantinha em condições precárias num antigo matadouro cães capturados nas ruas
Fátima Mariano
Câmara da Calheta alvo de buscas

A Câmara Municipal da Calheta foi alvo de buscas, na segunda-feira, no âmbito de uma investigação relacionada com alegados crimes de maus-tratos a animais de companhia.

O processo foi desencadeado em Maio deste ano na sequência de uma denúncia que dava conta do facto de a autarquia manter no antigo matadouro os cães errantes capturados, em situações higiossanitárias muito precárias e sem vigilância.

Segundo explicou ao jornal Os Bichos o major Pedro Barrete, do Comando Territorial da GNR da Madeira, na segunda-feira de manhã, os militares estiveram em vários serviços municipais a recolher prova documental.

A diligência foi acompanhada pelo procurador-adjunto do Departamento e Acção Penal (DIAP) da Ponta do Sol, que é o titular do processo.

O jornal Os Bichos contactou a Câmara Municipal da Calheta para a confrontar com as suspeitas. Apesar das várias tentativas ao longo desta quarta-feira, não foi possível falar com qualquer responsável.

 

Sem vigilância

O caso foi publicamente denunciado em Maio pela Associação Ajuda a Alimentar Cães (AAAC), que na altura também recebeu a denúncia, acompanhada com fotos de um cão morto numa das jaulas do antigo matadouro da Calheta.

Os membros da AAAC que ali se deslocaram encontraram vários animais doentes, que viviam em «condições higiénico-sanitárias bastante precárias».

Além disso, «em nenhuma das jaulas havia recipientes próprios para a comida», que era colocada no chão junto com os dejectos e a urina. A água disponível para beber «estava esverdeada» e o cheiro «era insuportável».

«Os cães estavam completamente infestados de pulgas e carraças», lembra a AAAC, acrescentando que era notória a falta de um funcionário no local.

«Fomos vários dias seguidos ao canil e em nenhum desses dias esteve alguém no local», diz a associação, que é testemunha no processo.

Os cães acabaram por ser retirados do antigo matadouro pela AAAC e encaminhados para uma clínica e um hospital veterinários para serem cuidados. Depois de alguns meses em tratamento, já foram todos adoptados.

Entretanto, segundo esta associação de bem-estar animal, desde a denúncia, não foram recolhidos mais cães no local.

Câmara da Calheta alvo de buscas
Os cães viviam em condições higio-sanitárias muito precárias (foto: AAAC)
Câmara da Calheta alvo de buscas
Os animais estavam infestados de pulgas e de carraças (Foto: AAAC)
Câmara da Calheta alvo de buscas
A água disponível para os cães beberem estava esverdeada e o cheiro "era insuportável" (foto: AAAC)
Câmara da Calheta alvo de buscas
A comida era colocada no chão junto com os dejectos e a urina (foto: AAAC)
Câmara da Calheta alvo de buscas
Os animais resgatados estiveram vários meses em tratamento. Já foram todos adoptados (foto: AAAC)

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