Perigo

Albatroz-de-tristão ameaçado por ratos na ilha britânica de Gough

Roedores são responsáveis pela destruição de cerca de dois milhões de crias e de ovos de 10 espécies de aves marinhas todos os anos
Bichos
Albatroz-de-tristão ameaçado por ratos
Albatroz-de-tristão ameaçado por ratos
Os casais da espécie albatroz-de-tristão produzem apenas um ovo de dois em dois anos

O albatroz-de-tristão (Diomedea dabbenena) residente na ilha britânica de Gough, no Atlântico Sul, está a ser ameaçado por uma praga de ratos. De acordo com a Sociedade Real para a Protecção das Aves (RSPB, sigla em inglês), aqueles roedores estão a comer os ovos e a matar as crias, colocando em risco a sobrevivência da espécie.

Nesta ilha vulcânica desabitada, cuja fauna e a flora foram classificadas como Património Mundial Natural pela Unesco em 1995, vivem mais de oito milhões de aves de 24 espécies (apenas duas são terrestres).

Segundo a RSPB, os ratos foram acidentalmente introduzidos em Gough por marinheiros no século XIX. Cerca de 100 anos depois, colonizaram toda a ilha, tornaram-se maiores (o dobro do tamanho dos roedores domésticos médios) e começaram a destruir os ovos do albatroz-de-tristão, outrora uma espécie abundante.

Actualmente, existem apenas dois mil casais de albatroz-de-tristão. Estes casais mantêm-se juntos toda a vida e produzem apenas umo ovo de dois em dois anos. Muitas vezes, os pais regressam ao ninho com comida e encontram a cria morta.

 

Plano de emergência

Um estudo recente apoiado pela RSPB concluiu que estes animais são os responsáveis pela destruição de cerca de dois milhões de crias e de ovos anualmente, o que está a ter um impacto devastador nas populações de pelo menos 10 espécies de aves marinhas. Além do albatroz-de-tristão, começa a estar também ameaçado o petrel (também conhecido por pardela), o buting, entre outros.

Imagens registadas por câmaras de vídeo instaladas na ilha mostram grupos de nove ratos a comerem uma cria viva. “As crias são mais pequenas e não têm forma de fugir, por isso, para um rato oportunista, são uma presa fácil”, explicou à agência de notícias MercoPress Anthony Caravaggi, da University College Cork, da República da Irlanda.

Devido ao real perigo de extinção destas espécies, a RSPB e o governo do arquipélago de Tristão da Cunha, com o apoio dos governos americano e sul-africano, irá colocar em marcha um plano para erradicar os ratos da ilha de Gough até 2020.

Será fretado um navio desde a África do Sul, que transportará dois helicópteros. Estes irão largar bolinhos de cereais com um anticoagulante que matará os ratos em 24 horas, explica a agência de notícias MercoPress.

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