Descoberta

Gorilas que tratam das crias têm cinco vezes mais filhos

Investigadores estudaram animais desta espécie no Ruanda e concluíram que as fêmeas preferem acasalar com machos que interagem com os juvenis do grupo
Bichos
Gorilas que cuidam das crias
Gorilas que cuidam das crias
Gorilas que cuidam das crias dão mais garantias às fêmeas de que vão tratar bem os seus filhos

Os gorilas que se preocupam com as crias do grupo têm cinco vezes mais filhos do que os outros. Segundo um estudo publicado na revista Nature na segunda-feira, isso acontece porque as fêmeas preferem acasalar com eles do que com os machos que não cuidam dos mais novos.

Investigadores da Universidade Northwestern (EUA), do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva (Alemanha) e do Fundo Internacional Dian Fossey para o Estudo dos Gorilas tentaram perceber por que motivo os gorilas-das-montanhas (Gorilla beringei beringei) do Parque Nacional dos Vulcões, no Ruanda, passavam tanto tempo com os juvenis, mesmo que não fossem seus filhos. A conclusão foi que desta forma, têm mais sucesso em reproduzir-se.

De acordo com os cientistas, entre os mamíferos, são raras as espécies cujos machos cuidam das crias. Isto porque para eles, a prioridade é o acasalamento e não a educação dos filhos. Os gorilas-das-montanhas, que vivem em grupos onde existem vários machos, fazem parte da excepção. Ao interagirem com os indivíduos mais jovens, sejam ou não seus filhos, têm mais hipóteses de serem escolhidos pelas fêmeas para parceiros sexuais.

Podem ser duas as razões: por um lado, elas podem sentir-se mais atraídas por machos com este tipo de personalidade; por outro, estes machos dão-lhes mais garantias de que os seus filhos terão uma vida melhor.

 

Instinto paternal

“Há cerca de 15 anos, eu era investigadora assistente no Fundo Internacional Dian Fossey para o Estudo dos Gorilas, e estudava o comportamento dos gorilas. Fiquei surpreendida com o tempo que os machos e as crias passavam juntos, mesmo em grandes grupos onde outros machos poderiam ser os pais”, explicou à revista Newsweek Stacy Rosenbaum, bolseira de pós-doutoramento na Universidade de Northwestern e autora principal deste estudo.

Stacy Rosenbaum acrescentou que, para ela, era mais expectável ver este tipo de comportamento nos homens, do que nos símios. Há mais de três anos, a equipa verificou que também existia nos gorilas-das-montanhas, mas a investigadora continuou céptica. No entanto, ao longo do tempo, a relação entre os machos e as crias não só se manteve, como também se fortaleceu.

Por outro lado, ainda segundo Stacy Rosenbaum, o instinto paternal deveria ser mais comum nas espécies monogâmicas (pois os machos têm a garantia de que os filhos são seus), do que nas poligâmicas, como é o caso do gorila, onde a paternidade não é garantida.

Já se sabia que os gorilas-das-montanhas competem entre si pelas oportunidades de acasalamento. Esta pesquisa mostra que essa competição é mais complexa do que se pensava. Nos homens, os estudos mostram que a testosterona diminui quando são pais. Se o mesmo acontecer com os gorilas, então, os que têm níveis de testosterona mais baixos podem ter dificuldades acrescidas na competição pelo acasalamento.

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