Alerta

Gatos estão a transmitir o parasita da toxoplasmose às belugas no Canadá

Investigadores defendem que as fezes dos felinos não devem ser deitadas na rede de esgotos porque o parasita é muito resistente
Bichos
Belugas infectadas com o parasita da toxoplasmose
Belugas infectadas com o parasita da toxoplasmose
No rio canadiano St Lawrence vivem cerca de 900 belugas, também conhecidas como baleias-brancas

A toxoplasmose, doença infecciosa transmitida por um parasita presente nas fezes dos gatos, está a afectar cada vez mais belugas (Delphinapterus leucas) do rio St. Lawrence, no Canadá. Neste curso de água vivem cerca de 900 destes animais marinhos.

De acordo com Stéphane Lair, da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Montreal, a análise de 34 cadáveres de belugas que morreram entre 2009 e 2012 revelou que 44% continham o parasita.

Segundo o mesmo investigador em declarações ao jornal Global News, o contacto dos mamíferos marinhos com o parasita da toxoplasmose não é recente, mas o aumento do número de gatos domésticos parece estar a colocar em risco a sobrevivência das belugas.

Os autores do estudo, cujas conclusões foram publicadas este mês na revista científica Diseases of Aquatic Organisms, consideram que se as fezes dos gatos não fossem deitadas na rede de esgotos (que desagua no rio), a quantidade de parasitas presente na água poderia diminuir. O parasita é bastante resistente, pelo que sobreviverá a qualquer tipo de tratamento feito às águas residuais.

 

Transmissão ao ser humano

O Toxoplasma gondii é propagado pelos gatos domésticos e selvagens, que os contraem quando se alimentam de roedores. Por isso, os cientistas defendem que os gatos domésticos deverão ser mantidos em casa, para evitar que comam ratos.

Stéphane Lair não acredita que, por si só, o parasita seja a causa da morte, mas contribui para o enfraquecimento do estado de saúde das belugas. Nos mamíferos marinhos, pode causar problemas neurológicos e alterações comportamentais.

«Os animais marinhos da América do Norte têm estado em contacto com o parasita desde há milhares de anos», explicou Stéphane Lair ao Montreal Gazette. Em 2014, o parasita foi encontrado em belugas que vivem no Ártico. Presume-se que tenha sido transmitido por felinos selvagens, como linces e pumas.

O parasita também pode ser transmitido ao ser humano através de ingestão de alimentos crus ou mal cozinhados, ou na sequência do contacto com as fezes dos gatos que contenham ovos do Toxoplasma gondii.

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