Debate

Eutanásia ou ressocialização: que destino aguarda o pitbull que matou a dona no Uruguai?

Mulher de 59 anos foi encontrada morta em casa com uma faca perto do corpo e várias mordidas. O cão apresentava vários cortes no dorso
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eutanásia ou ressocialização?
eutanásia ou ressocialização?
Instituto de Educação e Protecção Animal pediu cinco dias para avaliar o cão (foto: Pixabay)

A morte de uma mulher, no Uruguai, alegadamente provocada pelo seu pitbull reacendeu o debate sobre que destino dar a cães que ataquem pessoas. O Ministério Público solicitou a apreensão do animal para que este seja eutanasiado. Mas o Instituto de Educação e Protecção Animal (Idepa) pediu, esta segunda-feira, que a execução da medida seja adiada para que possam avaliar melhor o pitbull e ver se este pode ser reabilitado.

Na noite de quinta-feira, uma mulher de 59 anos de idade foi encontrada morta em casa, em Casavalle, um bairro de Montevideu, alegadamente na sequência de mordidas do seu cão de raça pitbull.

De acordo com o Montevideo portal, o corpo foi encontrado pela filha da vítima. Ao lado do cadáver estava uma faca, supostamente usada pela mulher para se defender do animal, que apresenta vários cortes no dorso. Depois de observar a vítima, a polícia verificou que esta tinha várias mordidas no pescoço e em outras partes do corpo.

O procurador do Ministério Público encarregue do caso, Juan Gómez, disse ao jornal El Observador que «o relatório forense indica que o animal atacou a dona e a matou». «Eu tenho que defender a vida das pessoas e não outra coisa», sublinhou, acrescentando: «Devo manter uma linha de actuação coerente com as resoluções tomadas no passado. Não é a primeira vez que algo do género ocorre com um cão e em casos similares, sacrificou-se o animal.»

 

Ataque ou defesa?

Juan Miranda, director da Idepa, ressalvou que há questões a ter em conta, como o facto de o pitbull não estar sinalizado como violento, de não existirem relatos sobre comportamento agressivo e o não ter atacado a filha da vítima quando esta entrou em casa.

«Há a possibilidade de uma outra pessoa ter entrado para atacar e de o cão ter querido defender e não atacar, como parecia inicialmente», pode ler-se no relatório. A petição da Idepa baseia-se na Lei n.º 18 741, sobre a posse responsável e o bem-estar animal. A associação pediu cinco dias para que o pitbull seja avaliado por Laura Falco, directora do centro TAO de terapias assistidas.

Em declarações ao Montevideo Portal, esta especialista defendeu que é necessário estabelecer as circunstâncias que levaram o animal a atacar daquela forma. O que aconteceu «não prova que o animal é violento ou perigoso, porque há circunstâncias que devem ser estudadas e que poderiam ter provocado essa reacção», explicou.

Laura Falco referiu ainda que «algo motivou aquela atitude do cão» e considerou que «é completamente impossível» que as marcas de arma branca que o animal tem tenham sido provocadas pela dona ao defender-se, porque o pitbull ataca de frente, o que não é coerente com tantas lesões, nem na parte do corpo em que ele apresenta.

 

O caso Zico/Mandela

Em Portugal, travou-se o mesmo debate em 2013, na sequência da morte de um bebé de 18 meses de idade, em Beja, provocado pelo cão arraçado de pitbull da família. Zico, assim se chamava o animal, atacou o menino quando este entrou na cozinha, que estava escura, e tropeçou nele. Ainda foi transportado ao hospital, mas devido à gravidade das lesões, acabou por morrer.

Aberto um inquérito criminal, o Ministério Público ordenou a recolha do animal. A médica veterinária municipal de Beja anunciou que o cão seria abatido, de acordo com o que a lei determinava, o que gerou uma forte contestação pública. Foi lançada uma petição pública, entregue à Assembleia da República, contra a eutanásia de Zico. Mas houve também petições a favor da sua morte.

Após uma providência cautelar interposta pela associação Animal no Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja, oito meses depois, cão foi entregue à sua presidente, Rita Silva, que o baptizou de Mandela. O animal foi então submetido a um processo de ressocialização.

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