Política

Pode o Brexit afectar os animais de companhia?

Domingo, realiza-se mais uma manifestação contra a saída do Reino Unido da União Europeia. Brexit poderá dificultar a contratação de médicos veterinários qualificados e a compra de medicamentos
Bichos
Brexit afecta os animais

No próximo domingo, realiza-se em Londres mais uma manifestação contra a saída do Reino Unido da União Europeia (UE). O objectivo é alertar para o impacto que o Brexit terá nos animais de companhia e respectivos donos. Os organizadores convidam os participantes a fazerem-se acompanhar dos seus cães e a incentivá-los a ladrar contra esta decisão política.

Um estudo do Colégio Real de Cirurgiões Veterinários, que regula a prática da medicina veterinária no Reino Unido, revelou que metade dos profissionais que todos os anos começam a trabalhar no país são oriundos de um dos estados-membro da UE. O que significa, segundo o mesmo documento, que o Brexit ou a falta de um acordo entre as partes poderá dificultar a contratação de médicos veterinários qualificados.

Por outro lado, o Gabinete Nacional para a Saúde Animal, uma agência que monitoriza a qualidade dos cuidados prestados aos animais, alerta para uma possível escassez de medicamentos. Cerca de 40% dos produtos necessários à saúde animal (vacinas, analgésicos, antibióticos, etc.) podem faltar nas clínicas veterinárias.

 

«Wooferendum»

Como recorda o jornal Ouest-France, o Reino Unido deverá sair oficialmente da UE em 29 de Março do próximo ano. Até lá, Londres e Bruxelas terão que acordar os temos do acordo de separação. Os promotores do protesto de domingo pedem a realização de um segundo «wooferendum».

No Reino Unido, um quarto da população tem um animal de companhia. «Somos uma nação que ama os animais, pensamos que ao concentrarmo-nos nesta questão, podemos convencer as pessoas a oporem-se ao Brexit», explicou ao mesmo jornal Dominic Dyer, um dos organizadores da manifestação, para quem a saída da UE poderá colocar em risco o bem-estar dos animais.

De acordo com a Associação de Fabricantes de Comida para Animais, no Reino Unido, a maioria das empresas do sector são de pequena e média dimensão. O que significa que está muito dependente do comércio com os restantes membros da UE. A saída do mercado comum e da união aduaneira obrigará os fabricantes a aumentarem os preços dos produtos para conseguirem suportar o aumento do custo das matérias-primas.

Os organizadores do protesto receiam que isso poderá desencorajar os britânicos de terem animais de companhia. «Assistimos a isso durante a crise financeira na Irlanda. Quando o custo de vida aumenta, mais animais são abandonados e menos são adoptados», refere Dominic Dyer,

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