Investigação

Afinal, os gatos não são assim tão bons a controlar as populações de ratos

Cientistas da Universidade de Fordham (Nova Iorque) estudaram a interacção entre felinos e roedores num centro de reciclagem. Em 79 dias, só três ratos foram caçados
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Estudo revela que os ratos se tornam mais cautelosos quando pressentem um gato por perto

A ideia de que os gatos são uma forma ecológica de controlar populações de ratos poderá não estar tão correcta quanto poderíamos acreditar. Um estudo realizado por investigadores da Universidade de Fordham (Nova Iorque, EUA) concluiu que além de os felinos não caçarem assim tantos roedores em ambiente urbano, são uma ameaça a outras espécies animais. Os resultados da investigação foram divulgados na terça-feira na revista científica Frontiers in Ecology and Evolution.

Michael Parson e os colegas pretendia estudar de que forma as feromonas dos ratos influenciavam a sua acção. Para isso, escolheram uma colónia que vive num centro de reciclagem em Brooklyn, onde também há gatos. A determinada altura, lembrando-se dos projectos que existem em Washington e em Chicago de controlo de infestações de roedores recorrendo a gatos de rua, os cientistas decidiram analisar qual o impacto dos felinos naquela população de ratos.

Instalaram câmaras de vídeo por toda a unidade industrial e colocaram microchips com sinal de rádio no maior número possível de ratos, explica o sítio da Internet Scientific American. Ao fim de 79 dias, e após visionarem mais de 306 vídeos, concluíram que os gatos apenas mataram três ratos.

«Os gatos nem sequer se incomodavam quando os ratos passavam por um espaço aberto», contou Michael Parson. «Num dos vídeos, um rato caminha calmamente enquanto um gato o observa de uma caixa a curta distância.»

 

Método ineficaz

Os investigadores observaram algumas interacções, com os gatos a perseguirem os ratos, mas foram casos esporádicos. O investigador principal deste estudo considera, por isso, que os felinos não têm qualquer eficiência quando usados como método de controlo de populações de roedores.

«Se estamos a pagar a alimentação de cinco gatos para controlarem 150 ratos, isso não tem resultados», acrescentou.

Apesar desta conclusão, os cientistas notaram que os ratos ficavam mais cautelosos se vissem um gato por perto; cerca de 20% deles chegou mesmo a mudar de local quando pressentiam um felino nas proximidades.

Estes resultados não surpreenderam Gregory Glass, professor na Universidade da Flórida (EUA), que estudou a interacção entre gatos e ratos durante décadas. «Quando o rato atinge a puberdade, tornam-se muito grandes e desagradáveis para os gatos lidarem com eles», explicou. «É possível ver vários gatos e ratos juntos uns com os outros, e a comerem do mesmo saco do lixo.»

A equipa liderada por Michael Parson concluiu também que os gatos mais depressa caçam aves e outros pequenos mamíferos do que ratos. O facto de se tratarem de animais domésticos significa que facilmente encontram outras fontes de alimento. Quanto aos gatos selvagens, em alguns países (como a Austrália) são a maior ameaça à preservação de algumas aves e mamíferos nativos.

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