Medicina

Parte do crânio de uma cadela com cancro substituída por um implante 3D

Foi necessário retirar cerca de 70% do osso com uma broca de alta velocidade para não danificar o cérebro. Esta técnica poderá, no futuro, ser utilizada nos seres humanos
Bichos
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Patches tem nove anos de idade e foi operada com sucesso em Março deste ano (foto: Universidade de Guelph)

Uma cadela de 9 anos de idade que tinha um tumor na cabeça viu 70% do osso do crânio ser removido e substituído por um implante 3D. O caso aconteceu em Março, mas só agora foi publicamente divulgado.

O tumor na cabeça de Patches, uma cadela de raça teckel, começou a formar-se há vários anos, contou a dona, Danielle Dymeck, residente na Pensilvânia (EUA), ao jornal The New York Times. Ao início, não parecia incomodá-la. Mas de repente, cresceu bastante, o que alarmou a família, com quem vive desde os dois meses de idade.

Devido à pressão que o tumor estava a exercer sobre o cérebro e a córnea ocular, o médico veterinário encaminhou-a para o Colégio de Medicina Veterinária da Universidade de Cornell (EUA), onde Galina Hayes, professora assistente, assumiu um papel crucial no tratamento que começou a ser administrado em Fevereiro. Juntamente com Michelle Oblak, cirurgiã veterinária oncológica do Colégio de Veterinária da Universidade de Guelph, em Ontário (Canadá), tomaram conta do caso.

O tumor estava de tal forma disseminado, que foi necessário retirar 70% do osso do crânio. As duas médicas veterinárias ponderaram preencher a cavidade que ficou com uma placa de titânio, mas esta solução não protegeria Patches caso ela fosse atingida com força na cabeça. Decidiram-se, então, por um implante a três dimensões personalizado.

 

Implante personalizado

Embora existam implantes 3D no mercado, os personalizados são os mais eficazes porque os focinhos dos cães variam muito de tamanho e de formato conforme a raça, explicou Michelle Oblak. Esta foi outra das razões pela qual as duas especialistas optaram por esta solução.

No dia 22 de Março, Patches foi operada. Foi utilizada uma broca de alta velocidade para cortar o osso à volta do tumor, de forma a que este fosse removido sem danificar o cérebro. A intervenção durou cerca de cinco horas. Segundo as médicas, citada pela revista Websonsultas, meia hora depois de ter acordado da anestesia, a cadela estava completamente activa.

O sucesso da cirurgia leva Michelle Oblak a acreditar que no futuro, esta solução poderá também ser aplicada nos seres humanos que têm tumores na cabeça, nos braços ou pernas, ou que deformidades causadas por traumas ou fracturas. Além do mais, com estas intervenções realidades em animais, aumentará o conhecimento sobre a técnica, o que permitirá utilizar estes implantes em segurança no Homem.

 

Tecnologia data dos anos 1980

Embora esta tecnologia existe desde os anos 1980, só recentemente as impressoras 3D começaram a ser utilizadas em procedimentos clínicos, sobretudo em instituições de ensino de medicina veterinária.

A tecnologia permite o fabrico de modelos em três dimensões a partir de tomografias bidimensionais antes que os animais sejam sujeitos a uma intervenção cirúrgica, permitindo que os médicos veterinários planeiem a operação com antecedência.

«Utilizamos estes modelos para planear a cirurgia», referiu ao jornal The New York Times Frank Verstraete, médico cirurgião da Universidade da Califórnia (EUA), cuja equipa já realizou dezenas de reconstruções do maxilar inferior. «Isto poupa-nos tempo na sala de cirurgia».

Os modelos 3D também permitem fabricar implantes que substituam mandíbulas partidas e ossos das patas, como aconteceu em 2009 na Universidade de Cornell, a um jovem cão de pastor alemão que tinha uma deformidade num dos membros.

Contudo, salienta The New York Times, o facto de os implantes em três dimensões personalizados ainda não serem utilizados com regularidade em pequenas clínicas veterinárias, os custos de fabrico são muito elevados. E alguns animais, desfigurados ou feridos, não conseguirão sobreviver sem um destes implantes.

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