Catástrofe

De que forma os furacões afectam a fauna selvagem?

Há aves que antecipam as viagens migratórias; outras, refugiam-se nas cavidades das árvores. Os tubarões mergulham em águas mais profundas e os golfinhos abandonam as zonas onde vivem
Bichos
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O pardal-de-garganta-branca antecipa as suas viagens migratórias se pressentir um fenómeno natural extremo

Sempre que há um aviso de aproximação de furacões, como os que este fim-de-semana atingiram a costa sudeste dos Estados Unidos da América e vários países asiáticos, são tomadas medidas para colocar em segurança os animais de estimação, os que vivem em abrigos, parques zoológicos ou em explorações pecuárias. Mas, o que acontece com os animais selvagens que vivem nessas áreas?

Vários estudos têm demonstrado que muitas espécies pressentem a aproximação destes fenómenos naturais e conseguem fugir antes da sua chegada. As aves sentem as mudanças nas pressões atmosféricas e ouvem os infrassons: algumas procuram outros refúgios antes da chegada do furacão; outras, migram mais cedo, segundo a revista Forbes.

O pardal-de-garganta-branca (Zonotrichia albicollis), por exemplo, que são aves canoras migratórias, podem antecipar a sua migração primaveril ou outonal se sentirem que há uma tempestade a aproximar-se do local onde se encontram.

As aves não-migratórias procuram abrigo dentro de arbustos densos ou no lado das árvores viradas para sotavento, locais onde a velocidade do vento é menor e onde podem permanecer secas, mesmo durante chuvas torrenciais, segundo a mesma revista.

Outras, como os pica-paus (Picidae) e os papagaios (Amazona), podem refugiar-se nas cavidades das árvores. O único problema é se as árvores partem, são arrancadas pela força do vento ou ficam totalmente debaixo de água durante as inundações.

 

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Os tubarões mergulham para águas mais profundas quando sentem alterações na pressão atmosférica
Fauna marinha

Também os animais marinhos podem ser vítimas dos fenómenos naturais extremos. Mas à semelhança das aves, algumas espécies têm igualmente estratégias para se colocarem a salvo.

Os tubarões (Selachimorpha), por exemplo, refugiam-se em zonas mais profundas dos oceanos quando sentem uma baixa na pressão atmosférica. Os golfinhos e outros cetáceos também abandonam a área por onde o furacão irá passar.

Outras espécies com mobilidade mais reduzida, como as tartarugas ou os caranguejos, poderão ser apanhadas no turbilhão das águas marítimas e serem arrastadas para outros locais, o que lhes poderá provocar ferimentos graves ou mesmo a morte, segundo o sítio da Internet Mother Nature Network.

 

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Alguns animais terrestres, como os esquilos, podem ter dificuldade em encontrar alimento depois de um furacão
Habitat natural destruído

Independentemente de se refugiarem em novos locais ou de conseguirem sobreviver nas zonas habituais, todas estas espécies animais vão ver o seu habitat natural profundamente alterado durante muito tempo. Poderão ter problemas em encontrar alimento ou mesmo em reproduzir-se, o que afectará o equilíbrio ecológico da zona afectada pelas catástrofes naturais.

Enquanto algumas espécies, como os esquilos (Sciuridae), podem ter dificuldade em encontrar alimento, outras, como os guaxinins (Procyon lotor) e os cervos (Cervidae), conseguem fontes alternativas de comida. A salinidade das águas arrastadas pelas tempestades pode também destruir a flora da qual muitas espécies animais se alimentam, pois estão adaptadas apenas à água doce.

Se estes fenómenos naturais extremos ocorrerem durante a época de reprodução, muitas espécies podem ver as suas crias morrerem. Muitos indivíduos ficarão também gravemente feridos, necessitando de tratamento médico e de longos períodos de recuperação. Alguns poderão não regressar à natureza, devido aos traumas físicos e psicológicos.

De acordo com a revista National Geographic, o furacão Harvey (Agosto de 2017), quase destruiu a última população de galinhas-da-pradaria-de-attwater existente no Texas. Dois meses depois, o furacão Irma dizimou cerca de 22% dos veados-chave (Odocoileus virginianus clavium), uma espécie ameaçada que existe apenas no arquipélago Florida Keys.

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