Conflito

Mais de dois milhões de animais de estimação mortos na Grã-Bretanha durante a II Guerra Mundial

Cães e gatos não podiam entrar nos abrigos anti-aéreos públicos. Havia o receio de que os cães desatassem a ladrar mal soassem as sirenes de alarme
Bichos
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Muitos cães foram mortos com clorofórmio, cianeto ou choques eléctricos

Durante a II Guerra Mundial, mais de dois milhões de animais de estimação foram mortos na Grã-Bretanha, de acordo com a jornalista Clare Campbell, do jornal Daily Mail. O governo quis livrar-se de todos os «animais não essenciais», lançou um campanha anti-cães e perseguiu aqueles que davam aos gatos uma simples taça com leite. Numa altura em que os alimentos estavam racionados, cada gota de leite ou pedaço de carne eram preciosos.

Claire Campbell chegou a estes números enquanto desenvolvia a pesquisa para o livro Bonzo’s War: Animals Under Fire 1939-1945 (A Guerra de Bonzo: Animais Debaixo de Fogo, 1939-1945, em tradução livre). Bonzo foi um dos cães que viveu nesse período conturbado da história mundial.

Este verão, a artista plástica Nicola White encontrou a chapa de uma coleira com o nome Bonzo inscrito, enquanto procurava artefactos nas margens lamacentas do rio Tamisa. A partir da morada inscrita na chapa, Claire Campell identificou a família e ficou fascinada com a história sobre o destino de milhões de cães e de gatos durante o conflito.

 

Mortos de várias formas

De acordo com a jornalista, a primeira semana de guerra foi a pior para os animais de estimação britânicos. Em sete dias, foram mortos 750 mil cães, porque se pensava que iriam ladrar assim que soasse a sirene de alarme de ataque eminente.

Antes de o conflito eclodir, foi constituído um Comité Nacional de Prevenção de Raids Aéreos, que publicou um conjunto de conselhos dirigidos aos donos dos animais, como «Se possível, envie ou leve os seus animais para o campo antes de uma emergência» ou «Se não puder deixá-los aos cuidados de um vizinho, o melhor é matá-los». O mesmo panfleto explicava como os animais poderiam ser mortos.

Os animais de estimação estavam proibidos de entrar nos abrigos anti-aéreos públicos, onde centenas de famílias desesperadas procuravam refúgio sempre que a sirene soava.

Aqueles que sobreviveram nestes primeiros tempos, sofreram uma nova ameaça no início do outono de 1940, quando começaram os bombardeamentos aéreos estratégicos da aviação alemã contra a Grã-Bretanha. Um médico veterinário recorda as «ruas inundadas» de gatos abandonados pelos donos. As câmaras municipais promoveram campanhas de eutanásia com recurso ao clorofórmio, cianeto e choques eléctricos.

 

Memorial

Claire Campbell e Nicola While lançaram uma campanha para angariarem 25 mil libras (cerca de 28 mil euros) necessárias à construção de um memorial em homenagem a esses milhões de vítimas de quatro patas. Embora exista em Park Lane, em Londres, um monumento que recorda os animais que foram utilizados como mão-de-obra nesses anos, as duas consideram que falta um memorial que guarde a memórias dos animais de estimação que foram mortos.

«Algumas pessoas podem considerar que se trata de algo frívolo, tendo em conta todo o sofrimento humano. Mas milhares de famílias foram forçadas a dizerem adeus aos seus queridos animais de estimação e sofreram muito na despedida», explica.

 

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