Estudo

Cabras preferem pessoas felizes

Investigação conduzida num santuário em Kent revela que estes animais são sensíveis às expressões faciais dos seres humanos
Bichos
felizes


Um estudo liderado por investigadores da Universidade Queen Mary, de Londres (Inglaterra), concluiu que as cabras conseguem distinguir pessoas com caras felizes das que têm caras tristes e preferem as primeiras. Os resultados foram divulgados recentemente num artigo publicado na revista científica Royal Society Open Science.

Esta é a primeira investigação que mostra evidências científicas de que estes animais conseguem ler as expressões faciais humanas, o que revelam que esta não é uma capacidade apenas de animais que foram domesticados há muitos anos, como os cães e os cavalos. Um estudo publicado em Julho deste ano tinha já demonstrado que as cabras são animais tão amorosos e inteligentes como os cães.

O estudo foi feito no Santuário de Cabras de Buttercups, em Kent, Inglaterra. Os cientistas observaram 20 cabras às quais foram mostradas fotografias a preto-e-branco de pessoas que elas não conheciam e exibindo as duas expressões faciais.

Ao jornal New Zealand Herald, Christian Nawroth, do Instituto Leibniz para a Biologia de Animais de Quinta, na Alemanha, explicou que em metade dos casos, as cabras aproximaram-se das fotografias que mostravam rostos sorridentes e exploravam-nas com os focinhos. Apenas em 30% dos casos se dirigiram primeiro às imagens com expressões tristes. As restantes, simplesmente ignoraram ambas as fotos.

 

Cabras são animais sensíveis

Natalia Albuquerque, doutoranda da Universidade de São Paulo (Brasil) e co-autora do estudo, referiu ao mesmo jornal: “Nós, humanos, somos uma espécie muito diferente e expressamo-nos de formas muitos diferentes – mesmo as nossas crianças são diferentes. Mas se as cabras são sensíveis às nossas expressões faciais… isso significa que possuem capacidades psicológicas complexas”.

Investigações anteriores tinham já revelado que outros animais, como as ovelhas, conseguiam reconhecer os rostos humanos. Contudo, aparentemente, só os cães e os cavalos mostraram ter a capacidade de diferenciar as expressões humanas.

Ao contrário destas duas espécies, cujo contacto com os humanos como animais de companhia ou de trabalho data de há centenas de anos, as cabras foram domesticadas apenas para produzirem carne, leite, pele e pêlo.

A investigadora da Universidade de São Paulo concluiu ao mesmo jornal: “Se estamos a demonstrar que as cabras são mais complexas do que pensávamos, talvez todos os animais não-humanos sejam mais complexos do que pensamos”.

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.