Proposta

Cidade neozelandesa quer proibir os gatos domésticos

Autoridades de Omaui argumentam que a medida visa proteger a biodiversidade da região. Plano propõe que quando um felino morresse, o dono não poderia ter outro
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Gatos domésticos são responsáveis pela extinção de 63 espécies em todo o mundo (foto: Pixabay)

As autoridades ambientais da região neozelandesa de Southland querem proibir os gatos domésticos na cidade de Omaui para protegerem a biodiversidade. Ao jornal New Zeleand Herald, a responsável pelas operações de biossegurança, Ali Meade, defendeu que o impacto desta medida no meio ambiente seria enorme.

A proposta que está em discussão prevê que os donos dos gatos os esterilizem, lhes coloquem o microchip e os registem junto das autoridades locais, para que desta forma os animais possam viver livremente. Quando um felino morresse, o dono não poderia ter outro. Quem não cumprisse as regras, receberia um aviso antes de um funcionário lhes retirar o animal de estimação.

Ali Meade referiu que as câmaras de videovigilância têm registado os danos que os gatos domésticos estão a causar à flora e à fauna locais. Esta medida faz parte de um plano de gestão de pragas proposto pelo conselho regional esta terça-feira e que está em discussão até 23 de Outubro.

 

«Não somos inimigos dos gatos»

A proposta está já a gerar controvérsia. Nico Jarvis, detentora de três gatos domésticos, disse ao jornal Otago Daily Times que não pretende cumprir as ordens. Segundo ela, os felinos foram a solução encontrada para combater a praga de roedores que existia na zona.

«Não interessa quantos roedores apanho com ratoeiras ou enveneno, continuam a vir mais dos arbustos. […] Se eu não posso ter um gato, quase não posso viver em minha casa», argumenta.

Nem todos partilham desta opinião. John Collins, o presidente da Omaui Landcare Charitable Trust, defende a proposta dizendo que a cidade simplesmente não é um lugar para gatos. Segundo este responsável, Omaui era uma «área de conservação de grande valor» e retirar os gatos dali permitiria que os animais nativos de reproduzissem.

«Não somos inimigos dos gatos, mas queremos que o nosso meio ambiente seja rico em vida selvagem», sublinhou.

 

Responsáveis pela extinção de espécies

O debate sobre o impacto da população de gatos nos ecossistemas locais é travado em várias regiões. À BBC Peter Marra, director do Centro de Aves Migratórias do Instituto Smithsonian, disse que «os gatos são animais de estimação maravilhosos, mas não deveriam andar livremente no exterior», manifestando o seu apoio à proposta. «Está na altura de tratarmos os gatos como os cães», defendeu.

Segundo o mesmo cientista, 63 espécies extintas em todo o mundo estão associadas ao grande crescimento das populações de gatos. O problema é ainda mais preocupante em zonas com ecossistemas muito sensíveis, como é o caso da Nova Zelândia. «Parece extremo, mas a situação ficou fora de controlo», afirmou.

Peter Marra defende que os amantes de gatos em todo o mundo devem adoptar uma «mentalidade diferente» em relação aos animais. Propõe que os gatos sejam adoptados sempre que possível, castrados e exercitados dentro de casa ou passeados à trela.

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