Tráfico

Quénia aposta no treino de cães para combater o comércio ilegal de marfim

Novo método está a ser testado no porto de Mombaça, considerada a maior plataforma de tráfico ilegal de África
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Segundo a WWF, todos os dias, 55 elefantes-africanos são mortos por causa do marfim (foto: Pixabay)

As autoridades quenianas estão a testar uma nova forma de treino dos cães utilizados no combate ao tráfico ilegal de marfim e chifre de rinoceronte, entre outros produtos. De acordo com o jornal The Independent, o novo método consiste em retirar uma pequena amostra de ar dos contentores que estão prestes a serem embarcados. As amostras são passadas por filtros especiais e depois dadas a cheirar aos cães, que foram treinados para se sentarem quando sentem o odor de partes de animais, de plantas e de madeira.

Os testes estão a ser feitos no porto de Mombaça, considerado a maior plataforma de comércio ilegal de África e de onde partem todos os dias cerca de 2000 navios. Segundo a BBC, entre 2009 e 2014, mais de 18 toneladas de marfim confiscadas neste local, fora as que as autoridades não detectaram. O que significa que pelo menos 2400 elefantes foram mortos por traficantes.

O novo método está a ser desenvolvido em conjunto com o World Wildlife Fund (WWF), a TRAFFIC (uma organização sedeada no Reino Unido) e os Serviços Quenianos para a Vida Selvagem, que esperam desta forma conseguir identificar os criminosos que ameaçam espécies em vias de extinção.

 

Caça ilegal

Cerca de 90 por cento dos elefantes desapareceram no último século por causa da procura de marfim na Ásia. Diversas espécies de rinocerontes estão fortemente ameaçadas ou são consideradas vulneráveis depois de décadas a serem atacadas por caçadores furtivos e cerca de 300 pangolins (Manis) são caçados todos os dias.

A WWF estima que existam apenas cerca de 25 mil rinocerontes brancos e negros e que cerca de mil foram mortos o ano passado só na África do Sul. Quanto aos elefantes, esta organização acredita que cerca de 55 elefantes-africanos (Loxodonta) são mortos todos os dias por causa do marfim.

Ao The Independent, Drew McVey, da WWF, disse: «Esta técnica pode mudar as regras do jogo, reduzindo o número de partes de animais ameaçados prontas a partirem para mercados como os do sudeste asiático». «O incrível olfacto dos cães permite-lhes detectar odores por mais leves que sejam», acrescentou.

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