Político

Ministro francês da Ecologia demite-se após reunião com os representantes dos caçadores

Durante o encontro no Palácio do Eliseu, o chefe de Estado aceitou autorizar a caça de mais espécies de animais e reduzir o preço das licenças nacionais
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Em França, é permitida a caça de 64 espécies de aves enquanto no resto da Europa a média é de 14 (foto: Pixabay)

O ministro francês da Transição Ecológica e Solidária, Nicolas Hulot, demitiu-se esta terça-feira, um dia depois de uma reunião no Palácio do Eliseu com os representantes dos caçadores, durante a qual o presidente gaulês aceitou autorizar a caça de novas espécies animais e a reduzir o preço das licenças nacionais. Duas exigências antigas, segundo a imprensa gaulesa.

O encontro de segunda-feira juntou Emmanuel Macron, Nicolas Hulot e o seu secretário Sébastien Lecornu, o presidente da Federação Nacional de Caçadores, Willy Schraen, e o seu conselheiro político, Thierry Coste, a quem o ministro demissionário disse «que não estava lá a fazer nada», segundo a rádio France Inter.

O canal de televisão francês LCI refere que a ligação entre o chefe de Estado e a comunidade de caçadores é longa. Enquanto candidato, manifestou-se favorável à reactivação dos comités de caça presidenciais, um organismo dependente da presidência da República que gere esta actividade em diferentes parques, que estão inactivos. Em meados de Dezembro de 2017, foi cumprimentar os caçadores perto do castelo de Chambord, onde celebrava o seu aniversário.

Nicolas Hulot anunciou a sua demissão esta terça-feira em directo numa entrevista à rádio France Inter: «É a decisão mais difícil». O ministro demissionário denunciou «a presença de lobbies nos círculos do poder». A reunião de segunda-feira, que durou três horas, a segunda em seis meses, foi apenas a gota de água de uma sucessão de situações com as quais Hulot não concordava.

 

1,2 milhões de caçadores

De acordo com a Federação Nacional de Caçadores (FNC), 98% são homens e metade destes tem mais de 55 anos de idade. No sítio da Internet da Federação pode ler-se: «toda a sociedade caça: profissões liberais, executivos, artesãos, comerciantes, directores de empresas, com uma forte prevalência nos meios agrícolas e operários».

O canal de televisão LCI diz que dois terços dos caçadores são agricultores (12,1%), operários (26,1%) ou inactivos (29,5%). E que a França é o país europeu onde esta actividade é mais forte, ficando à frente de Espanha e de Itália. Ao todo, são 1,2 milhões de caçadores.

Se for aprovada a redução para metade do preço da licença nacional, esta passará dos actuais 400 euros para os 200 euros. Contudo, as licenças departamentais manter-se-ão inalteradas. O director geral da FNC, Nicolas Rivet, disse ao jornal Ouest-France: «O objectivo é promover a mobilidade dos caçadores que querem caçar em vários departamentos».

 

Espécies caçáveis

Quanto à nova «gestão adaptável» das espécies que podem ser caçadas, a associação defensora dos direitos dos animais 30 millions d’amis refere que esta permitirá aos caçadores caçar seis espécies, entre as quais gansos, pombos e perdizes, até ao final do ano. Será constituído um conselho científico que decidirá as quotas anuais de cada espécie a ser caçada.

Segundo a presidente da Liga para a Protecção das Aves, em França, é permitida a caça de 64 espécies, enquanto no resto da Europa, em média, são 14. Allain Bougrain-Dubourg refere que 20 dessas espécies integram a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza. «É inaceitável que possamos continuar a caçar espécies em risco», alertou.

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