Comércio

Governo britânico quer acabar com criação intensiva de cães e gatos

Nos últimos anos, foram denunciados vários casos de criadores que forçam as fêmeas a engravidarem várias vezes ao ano para satisfazer a procura e aumentar os preços
Bichos
governo
governo
Cachorros e gatinhos só poderão ser comprados a criadores autorizados e apenas a partir das oito semanas de idade

O governo britânico prepara-se para regular a criação e venda de cães e gatos para combater os criadores sem escrúpulos, que mantêm os animais em condições deploráveis e que forçam as fêmeas a engravidarem várias vezes. O executivo lançou uma consulta pública para saber a opinião dos britânicos sobre o assunto.

De acordo o sítio da Internet do Governo, o secretário de Estado do Meio Ambiente, Michael Gove, anunciou esta quarta-feira que quem quiser comprar ou adoptar um cachorro ou um gatinho só poderá fazê-lo em criadores autorizados ou em associações que acolhem animais abandonados.

Os criadores só poderão vender as crias nascidas nas suas próprias quintas e terão que ter uma licença para venderem três ou mais ninhadas por ano. Quem quiser vender online terá que publicitar o número da sua licença, o país de origem do animal e o país de residência.

«As pessoas que têm um completo desrespeito pelo bem-estar dos animais de estimação não poderão lucrar mais com este negócio miserável», afirmou Michael Gove.

 

Governo pressionado

De acordo com o jornal The Guardian, nos últimos anos, foram denunciados vários escândalos envolvendo criadores de cães e gatos, que para satisfazerem o aumento da procura, sobretudo de determinadas raças, e poderem aumentar os preços criam centenas de animais em condições muito deficitárias.

A chefe do Governo, Theresa May, falou pela primeira vez nesta intenção de combater a criação intensiva de cães e gatos em Dezembro, na sequência da chamada campanha pela Lei Lucy promovida por um conjunto de associações de protecção animal.

Lucy era uma cadela de raça cavalier king charles spaniel, forçada a engravidar várias vezes por ano e a quem os filhotes eram retirados com apenas quatro semanas de idade, metade do tempo recomendado. Segundo os especialistas, a retirada precoce das crias de cães e gatos poderá provocar-lhes sérios problemas de saúde e dificultar-lhes o processo de socialização.

Quando foi resgatada, Lucy estava bastante debilitada. Após este caso se ter tornado público, foi então entregue ao Parlamento uma petição com quase 150 mil assinaturas a pedir um maior controlo da venda de animais de estimação no Reino Unido.

 

Penas agravadas

As mudanças não se ficam por aqui. A partir de 1 de Outubro, os criadores licenciados não poderão vender cachorros ou gatinhos com menos de oito semanas de idade. Será também mais apertada a atribuição de licenças a quem quiser criar e vender cães e gatos.

As penas por agressão aos animais de companhia foram igualmente agravadas, podendo chegar aos cinco anos de prisão. Trata-se da pena mais pesada em toda a Europa.

Passam a ser considerados cachorros e gatinhos os animais com menos de seis meses de idade.

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.