Livro

Conhecer Lisboa e arredores com as visitas guiadas de Calvin Esparguete

Obra da jornalista Filomena Lança relata as aventuras e desventuras de um dos gatos da família, que detesta estar fechado em casa
Fátima Mariano
Calvin

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Não será exagerado dizer que poucos gatos conhecerão tão bem Lisboa e os seus arredores como Calvin Esparguete. Este gato cinzento e de olho esverdeado, já andou de autocarro, de metro, dormiu numa loja de luxo na Avenida da Liberdade, foi algumas noites à discoteca, viveu num restaurante chinês e num hostel, perdeu-se nos subúrbios da capital… As suas aventuras parecem não ter fim. Tudo isto porque lhe apetece, não porque os donos o levem a passear por todos estes locais.

Ao jornal Os Bichos, a jornalista Filomena Lança, a verdadeira dona de Calvin Esparguete, conta que ele «sempre teve tendência para o disparate e para sair de casa desde pequenino». Mesmo agora, com 15 anos de idade, embora esteja mais calmo, continua a dar os seus passeios pelo bairro onde vive, na Colina de Santana, e a saltar a vedação que a família colocou, há muitos anos, no quintal para evitar que ele saísse… sem sucesso.

«Ele sempre foi um pouco diferente, quase fala com as pessoas. Não tem medo delas», conta a dona.

As aventuras de Calvin sempre fizeram as delícias dos amigos da sua família humana. Em 2016, Filomena decidiu criar uma página no Facebook onde ia relatando algumas das suas histórias. Até que surgiu o convite da editora D. Quixote para passar essas histórias em forma de livro. Foi assim que nasceu Calvin Esparguete. Diário de um gato citadino, lançado este ano.

Embora os nomes das pessoas que surgem no livro sejam fictícios (incluindo os dos próprios donos) e haja «uns pozinhos de imaginação» no meio das páginas, a obra relata as aventuras e desventuras «de um gato cinzento, gordo, de olhos esverdeados e ar sério e maldisposto ou ternurento e simpático, consoante esteja ou não com fome e queira ou não que lhe abram a porta para ir à rua».

 

Calvin, o crítico social

Ao longo dCalvina história perpassa também alguma crítica social. Como quando Calvin diz não perceber porque «ninguém parecia ver o homem» que estava à porta da igreja de São Domingos a pedir moedas, «apesar de ele explicar que não tinha casa onde dormir e que precisava de arranjar dinheiro para comprar biscoitos para os cães e qualquer coisa para o seu próprio jantar»; ou quando, na noite em que foi à discoteca pela primeira vez, viu que as ruas se enchiam «de carros estacionados em terceira e em quarta fila, vigiados pelos porteiros.». «Há noites em que a polícia vem, conversam um bocado e fica tudo na mesma», «diz» Calvin.

Filomena Lança explica que tentou integrar o Calvin «no ambiente da cidade de Lisboa». No bairro onde a família vive, que tem vindo a ser descoberto pelo turismo, há muitos idosos sozinhos e imigrantes. Filomena Lança tentou também passar a mensagem de que «vale muito a pena ter animais em casa». «Eles fazem-nos muita companhia», sublinha.

Calvin foi adoptado quando era bebé. Actualmente, vivem mais duas gatas com a família (que inclui duas crianças) e dão-se todos bem. Até porque Calvin, apesar da idade, continua a dar os seus passeios pelo bairro sempre que lhe apetece…. E os donos deixam. Por isso, não estranhe se um destes dias, ao passar pela colina se Santana, se cruzar com o Calvin.

E não, ele não tem o apelido Esparguete por gostar muito deste tipo de massa. A comida preferida dele é fiambre.

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