Descoberta

Elefantes raramente têm cancro devido a um «gene zombie»

Investigadores esperam que as conclusões deste novo estudo os possam ajudar a encontrar novas formas de prevenir ou mesmo tratar o cancro nos humanos
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Menos de 5% de elefantes desenvolvem cancro contra 25% dos seres humanos (foto: Pixabay)

Embora tenham biliões de células, que hipoteticamente poderiam tornar-se cancerosas, menos de 5% dos elefantes têm cancro contra 25% dos seres humanos. Um estudo científico recentemente publicado concluiu que a baixa percentagem se deve ao facto de eles animais produzirem um «gene zombie» que os protege daquela doença.

À CNN, Joshua Schiffman, professor de pediatria na Universidade do Utah e investigador no Huntsman Cancer Institute, declarou: «Devido ao tamanho do seu corpo, ao número de células que têm e o seu tempo de vida, todos deviam desenvolver cancro».

Alguns cientistas, como Joshua Schiffman, têm vindo a estudar animais que evoluíram para «resistirem naturalmente ao cancro», como os elefantes e as baleias-comuns (Balaenoptera physalus). Estas podem viver até 200 anos.

Ao analisarem o funcionamento interno dos genes e das moléculas no reino animal, os investigadores esperam descobrir novas formas de prevenir ou mesmo tratar o cancro nos seres humanos.

 

Nova esperança para o tratamento do cancro

Segundo o estudo publicado na revista científica Cell Reports, a explicação para esta resistência dos elefantes ao cancro poderá estar nos «genes zombie». Quando é ressuscitada pelo DNA, esta célula acaba por morrer. «Se [a célula] se mata a si própria, então, o DNA danificado nunca terá o potencial de causar cancro», explicou também à CNN o autor do estudo, Vicent J. Lynch, biólogo evolucionista da Universidade de Chicago.

O «gene zombie» resulta do pseudogene, «uma cópia mutante ou inactiva de um gene normal que pode se acumular ao longo de eras de evolução. Os elefantes, entre outros animais, têm diversas duplicações do gene LIF, mas estas não funcionam como os originais.

Ao que tudo indica, nos elefantes, uma dessas cópias terá ressuscitado e «desenvolvido um novo interruptor on-off» que responde aos danos no DNA, referiu Vicent J. Lynch.

«Provavelmente, há muitas coisas que podem contribuir para aumentar a resistência ao cancro e nós descobrimos uma delas nos elefantes», acrescentou o mesmo investigador. «A forma como normalmente pensamos que a evolução ocorre é através da aquisição de várias mudanças genéticas. Cada uma delas tem um pequeno efeito. Quando se juntam todas, temos um elefante super resistente ao cancro».

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