Ambiente

Novos pesticidas podem ser tão prejudiciais às abelhas como os actuais

Número de abelhas operárias e de zangões baixou nas colónias em contacto com doses baixas de sulfoxaflor. Investigadores concluíram que o novo insecticida afecta a capacidade de reprodução das abelhas
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União Europeia vai proibir, a partir do final do ano, o uso de três produtos à base de neonicotinóide

Os pesticidas que estão a ser desenvolvidos para substituir os actuais à base de neonicotinóide podem não ser tão amigáveis para as abelhas como se pensava, segundo um estudo publicado na revista científica Nature. Durante a investigação, os cientistas verificaram que a capacidade de as abelhas se reproduzirem e de as colmeias crescerem ficou comprometida com o uso dos novos insecticidas à base de sulfoximina.

Em declarações ao jornal The Guardian, Harry Siviter, da Royal Holloway da Universidade de Londres (Inglaterra), explicou que o sulfoxaflor «pode ter um impacto negativo na capacidade reprodutiva das colónias de abelhas».

Tal como o neonicotinóide, o sulfoxaflor não mata directamente estes insectos, mas parece afectar o seu sistema imunológico e a sua função reprodutora. Para o estudo, as colónias foram expostas a baixas doses de pesticida em laboratório durante duas semanas.

Depois de transferidas para um ambiente de campo, ao fim de cerca de três semanas, os investigadores verificaram que as colónias passaram a ter menos abelhas operárias e metade do número de zangões, embora a capacidade de recolha de pólen se tenha mantido. Nove semanas depois, essas colmeias tinham menos 54% de abelhas-rainha e de machos.

 

Pesticidas proibidos

Este estudo foi divulgado numa altura em que se assistem a mudanças legais em alguns países quanto ao uso do neonicotinóide para o controlo de pragas nos campos agrícolas. Em Abril, a União Europeia aprovou a proibição, a partir do final do ano, de três produtos à base deste composto em campo aberto, restringindo-o a estufas cobertas. Uma decisão que não agradou aos agricultores.

No início de Agosto, o Canadá anunciou a interdição de dois dos pesticidas mais utilizados nas culturas de canola, milho e soja.

Sobre o estudo agora conhecido, Sandra Bell, da associação Amigos da Terra, disse ao jornal The Telegraph que «a proibição dos neonicotinóides é uma boa notícia para as abelhas». Contudo, considera que o Governo britânico «deve garantir que os pesticidas alternativos não prejudicam estes polinizadores», defendendo que não deve aprovar o uso de sulfoxaflor «dadas estas preocupações com a segurança das abelhas».

 

ONU alerta

Os neonicotinóides baseiam-se na estrutura da nicotina e atacam o sistema nervoso dos insectos. O novo estudo demonstrou que o sulfoxaflor, embora tenha uma composição diferente, tem o mesmo efeito.

Ao contrário dos pesticidas de contacto – que permanecem nas folhas, os neonicotinóides são absorvidos pela planta desde a fase da semente e transportadas para as folhas, flores, raízes e estames.

Nos últimos anos, um pouco por todo o mundo tem crescido a preocupação com a saúde das abelhas. Os pesticidas têm sido responsabilizados pela destruição de colmeias. No ano passado, as Nações Unidas alertaram para o facto de 40% dos polinizadores invertebrados – especialmente as abelhas e as borboletas – estão em risco de extinção.

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