Cirurgia

Transplante de penas permitiu a coruja ferida voltar a voar em seis dias

Procedimento cirúrgico demorou apenas 45 minutos. Sem o transplante, a ave teria pela frente entre seis a 12 meses de reabilitação
Bichos
Coruja
Coruja
(Foto: Brisbane Bird and Exotics Veterinary Services)

Uma coruja macho encontrada presa numa cerca de arame farpado na cidade australiana de Jimboomba há cerca de um mês recuperou a capacidade de voar em apenas seis dias após um transplante de penas. O animal sofreu ferimentos no peito e numa asa, mas graças a este procedimento cirúrgico recuperou rapidamente, noticia o Australian Geographic.

A ave, da espécie Podargus strigoides, foi resgatada por Anette Bird, do Centro de Reabilitação de Répteis de Brisbane. «Ela deve ter voado para a cerca durante a noite, já que são animais nocturnos. Ao princípio, pensei que tinha que ser eutanasiada. Os animais que ficam presos em cercas tendem a lutar e só pioram a situação, enrolando-se ainda mais no arame», explicou.

Com o auxílio de dois vigilantes da natureza, a coruja foi sedada, retirada do arame farpado e envolvida numa toalha. Cerca de dois minutos depois, Anette Bird recebeu um telefonema dando conta de uma outra coruja a precisar de ajuda. Tinha colidido com um veículo que circulava a 100 quilómetros por hora e sofrera ferimentos graves na cabeça e numa asa. Devido à gravidade dos mesmos, acabou por ser eutanasiada.

 

Penas de coruja atropelada

Transportada para o Serviço de Veterinária de Exóticos e Aves de Brisbane, aqui, foi anestesiada. As radiografias mostraram que as asas não apresentavam qualquer traumatismo. Foram retirados os restos das penas danificadas e o médico veterinário Hamish Baron procedeu, então, ao transplante de seis penas da ave eutanasiada para esta, entretanto baptizada de Kouro. Este procedimento permitiu que a coruja recuperasse a capacidade de voar em apenas uma semana, finda a qual foi devolvida à natureza.

«Talhámos um pequeno pedaço de bambu e inserimo-lo no eixo da pena que caiu da ave ferida e na haste da pena da ave doadora», explicou o médico veterinário. Nas juntas, foram utilizadas cola e bicarbonato de sódio para fortalecer a união. Este acto permitiu à coruja voar muito mais cedo do que se a recuperação fosse natural.

O transplante de seis penas de voo demorou cerca de 45 minutos. Sem este procedimento cirúrgico, Kouro teria pela frente entre seis a 12 meses de reabilitação até que as suas penas voltassem a crescer. «Não há palavras que descrevam o que se sente ao ver uma ave que passou por todo este trauma voltar a voar seis dias depois», sublinhou ao Australian Geographic Anette Bird.

Salvar a vida selvagem

Apesar de o acidente se ter registado em Julho, só agora foram divulgadas as imagens e os pormenores da história. Hamish Baron que também trabalha nas universidades de Brisbane e de Sidney, refere que esta foi uma boa oportunidade para transmitir aos seus alunos como tratar com sucesso animais selvagens feridos.

«A beleza de fazer trabalho de campo é poder contribuir para o salvamento de animais nativos», acrescentou.

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