Fotografia

«Não é nada fácil fotografar animais. É preciso muita paciência»

Fernando Ferreira, de 43 anos de idade, já registou mais de 200 espécies de animais da freguesia de Malta/Canidelo, em Vila do Conde. Fotografias podem ser vista até 13 de Agosto na exposição «Biodiversidade da Nossa Terra»
Fátima Mariano
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Sempre gostou do contacto com a natureza e de fotografia. Um dia, decidiu juntar as duas paixões e, aos poucos, sem planear, tornou-se fotógrafo da natureza. Fernando Ferreira, 43 anos de idade, natural de Mafamude (Vila Nova de Gaia) e residente em Malta/Canidelo (Vila do Conde), já registou mais de 200 espécies de animais desta última freguesia e não quer ficar por aqui.

«Não é nada fácil fotografar animais. É preciso muita paciência», diz ao jornal Os Bichos. Autodidacta – não tem formação na área – e com poucos recursos financeiros (está desempregado há três anos e tem dos filhos), Fernando Ferreira procura aperfeiçoar o seu trabalho todos os dias, com as máquinas fotográficas que consegue comprar.

Há cerca de um ano, adquiriu um fato de camuflado e uma rede, que lhe permite aproximar-se um pouco mais disfarçado dos animais, mas precisa de uma lente com mais alcance para conseguir fotografá-los de longe. «Neste momento, a distância máxima a que consigo estar são cinco metros», explica.

Graças ao apoio da Junta de Freguesia de Malta e Canidelo, este ano, conseguiu realizar o sonho de organizar a sua primeira exposição. A mostra intitulada Biodiversidade da Nossa Terra está patente no Centro de Actividades Associativas, em Malta, até 13 de Agosto. A entrada é gratuita e as imagens podem ser compradas. Ao jornal Os Bichos, este fotógrafo amador diz que «as pessoas ficam boquiabertas» quando vêm a diversidade de espécies animais que existe na sua terra.

 

Um ano à espera da revelação

Fernando Ferreira não sabe precisar quando nasceu esta paixão pela fotografia, mas foi durante a adolescência. Começou por registar o dia-a-dia da família, incluindo a cadela Diana, em Labruge, Vila do Conde, para onde se mudaram quando ele tinha três anos de idade. Quando o primeiro rolo de fotografias ficou completo, esteve um ano a juntar dinheiro para conseguir revelá-lo. «Quando finalmente consegui, parecia um miúdo a quem tinha dado um presente há muito desejado, de tão feliz que fiquei», recorda.

Aos 12 anos de idade, com o 6.º ano de escolaridade completo, começou a trabalhar para ajudar a família. Sempre que conseguia juntar algum dinheiro, comprava uma máquina fotográfica melhor. Há cerca de três anos, adquiriu o seu primeiro equipamento digital e foi quando começou a registar a fauna e a flora de Vila do Conde. O digital veio dar-lhe uma grande ajuda, embora gostasse de voltar a fotografar em analógico.

Quando faz trabalho de campo, sai cedo de casa e sem planos. «Às vezes, fico todo o dia fora e nem almoço», diz. Mas Fernando Ferreira não se limita a fotografar. Em casa, há todo um trabalho de selecção de imagens e de procura de informação fidedigna sobre as espécies fotografadas. «Não me limito a publicar as fotografias nas redes sociais. Acrescento sempre um texto a falar do animal em causa», sublinha.

Além de esperar um dia poder comprar equipamento fotográfico melhor, Fernando Ferreira tem um outro desejo: o de poder registar a fauna e a flora de toda a Paisagem Protegida Regional do Litoral de Vila do Conde e Reserva Ornitológica de Mindelo e divulgar o seu trabalhado junto de mais pessoas através de exposições.

 

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