Investigação

Tubarão-baleia macho pode viver até aos 130 anos

Cientistas de uma universidade americana mergulharam nos mares das Maldivas para estudarem esta espécie considerada vulnerável. Conclusões são importantes para a tomada de medidas de protecção
Bichos
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A boca do tubarão-baleia tem cerca de 1,5 metros de comprimento na fase adulta (foto: Simone Saponetto/Pixabay)

Investigadores de uma universidade americana concluíram que o tubarão-baleia macho (Rhincodon typus) pode viver até aos 130 anos. Até agora, estimava-se que o tempo de vida médio variava entre os 70 e os 100 anos. Estas conclusões podem ajudar a tomar medidas de gestão da  populações desta espécie, considerada vulnerável.

O estudo foi realizado nas Maldivas por cientistas do Instituto de Investigação Guy Harvey da Universidade Nova Southeasthern (Flórida). A escolha do local prendeu-se com o facto de ali viver uma população de tubarões-baleia há muitos anos. «Determinar as idades dos tubarões é geralmente difícil», sublinhou ao sítio da Internet Gizmodo Mahmood Shivji, um dos investigadores envolvidos na pesquisa.

O tempo de vida dos tubarões-baleia era estimado, até agora, através do estudo das vértebras de espécimes mortos, que apresentam anéis como os troncos das árvores. Contudo, não é claro como é que estes anéis se formam e se podem mesmo ser considerados um marcador dos anos de vida desta espécie.

Para este estudo, a equipa da Universidade Nova Southeastern realizou186 mergulhos, durante os quais se cruzou com 44 indivíduos. A maioria era jovem, até 10 anos de idade, e do sexo masculino. Por este motivo, não foi possível determinar a longevidade das fêmeas.
Os cientistas utilizaram três métodos de medição, segundo o artigo que publicaram na revista Marine and Freshwater Research: através da observação visual (que subestima o tamanho real); recorrendo a laser e a câmaras (estes últimos apresentaram resultados similares).

 

Modelo matemático

Os dados obtidos durante os mergulhos foram posteriormente interpretados à luz de um modelo matemático. Modelo que utiliza equações baseadas em observações anteriores e informação de como os tubarões crescem, o que permite determinar a sua idade a partir do seu tamanho.

Segundo este modelo, os machos atingem a maturidade sexual aos 25 anos de idade e podem viver até aos 130 anos. Estes novos dados são importantes para melhor conhecer e proteger esta espécie. «Uma compreensão mais profunda da idade e dos parâmetros de crescimento permitirá perceber a capacidade de recuperação das populações do tubarão-baleia em caso de sobre-exploração e é vital para os planos de gestão das mesmas», escreveram os autores do estudo.

Mahmood Shivji sublinha, no entanto, que estas conclusões referem-se a estimativas abalizadas. Os cientistas não confirmaram a existência, de facto, de um tubarão-baleia com 130 anos de idade. Contudo, o mesmo investigador não deixa de ressalvar que se trata de um novo método de medição de tubarões vivos, que pode ser aplicado a outras espécies.

 

Tubarão-baleia, uma espécie vulnerável

O tubarão-baleia é um dos maiores peixes conhecidos. Vive em águas tropicais e temperadas e alimenta-se de plâncton e de pequenos peixes. A sua boca, que tem entre 300 a 350 fileiras de dentes minúsculos, mede aproximadamente 1,5 metros de comprimento na idade adulta. Apesar do seu tamanho (pode atingir os 12 metros de comprimento e pesar até 19 toneladas), não representa grande ameaça aos seres humanos.

É uma espécie é considerada vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza. As maiores ameaças são a pesca, a captura acidental por redes de pesca e colisões com embarcações. Trata-se de um animal que não vive a grandes profundidades.

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