Consumo

Imagens de animais bebés condicionam o nosso desejo de comer carne?

Estudo de duas universidades inglesas conclui que sim e que as mulheres são mais sensíveis do que os homens
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Investigadores dizem que as mulheres têm uma ligação emocional mais forte com as crianças do que os homens

A observação de imagens animais bebés condiciona o nosso desejo de comer carne? Este foi o ponto de partida de um estudo conduzido por investigadores da Universidade de Lancaster e do University College London. Nesta pesquisa, cujos resultados foram publicados na revista científica Anthrozoos, participaram 353 mulheres e 428 homens não vegetarianos ou veganos. O objectivo era verificar de que forma a visualização de fotografias de animais bebés afectava o seu desejo de comer carne.

Numa primeira fase, foram mostradas aos participantes imagens de animais recém-nascidos e de adultos mais tradicionais – um bezerro e um touro – e mais exóticos – um canguru bebé e outro adulto. Cada fotografia estava associada a um prato de carne. Os participantes foram informados de que a carne tinha vindo daqueles animais. Depois, estes tiveram que avaliar o quanto gostaram dos animais exibidos nas imagens e dos pratos de carne.

Na etapa seguinte, os cientistas repetiram o exercício exibindo imagens de mais animais: um leitão e um porco, um cordeiro e uma ovelha.

Na última fase, foi avaliado o desejo de saborear a carne quando os pratos eram exibidos ao lado da fotografia de um bezerro, de uma vaca e sem animais.

 

Mulheres mais sensíveis

Homens como as mulheres referiram gostar tanto das fotografias dos animais bebés como das dos adultos. Observar fotografias onde as crias apareciam sozinhas reduziu temporariamente nas mulheres a vontade de consumir carne. Mais do que nos homens. Resultados consistentes com estudos anteriores, que tinham já concluído que as mulheres são mais sensíveis do que os homens às crianças e que são mais ambivalentes quanto ao consumo de carne.

Ao jornal belga Metro Time, Jared Piazza, um dos co-autores do estudo, referiu: «Temos verificado que tanto os homens como as mulheres acham que os animais bebés são adoráveis e vulneráveis e sentem ternura por eles. Mas esses sentimentos positivos afectam homens e mulheres de maneira diferente».

De acordo com Jared Piazza, isto pode dever-se ao facto de serem maioritariamente as mulheres quem cuida das crianças. «Os nossos resultados podem reflectir a forte ligação emocional que existe entre as mulheres e os bebés, por extensão, a sua tendência é sentir mais empatia com as crias dos animais».

 

Carne associada à masculinidade

O mesmo investigador acrescentou que «a carne está associada à masculinidade. […] e à imagem do caçador pré-histórico masculino. As mulheres adoptam uma atitude muito mais ambivalente em relação à carne porque a sua identidade não é associada da mesma maneira».

Ao Eureka Alert, Jared Piazza aconselhou os activistas dos direitos dos animais a utilizaram fotografias de crias nas suas campanhas, principalmente quando estas são dirigidas a mulheres.

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