Comércio

Pesca de baleias-anãs na Islândia chegou ao fim porque já não é lucrativa

Aumento da zona de protecção obriga baleeiros a terem que navegar para áreas mais distantes, o que aumenta das despesas desta actividade
Bichos
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Baleeiros queixam-se de que em Julho não conseguiram capturar qualquer baleia-anã

A pesca de baleias-de-minke, também conhecida por baleias-anãs (Balaenoptera acutorostrata), terminou na Islândia por já não ser rentável. Segundo o sítio da Internet PRNewswire, devido aos elevados custos e às baixas receitas, foi tomada a decisão de acabar com esta actividade no final do mês de Julho.

«Esta é uma boa notícia para as baleias-de-minke e para a Islândia», disse Sigursteinn Masson, representante no país do Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW, na sigla em inglês). «Acabar com a pesca da baleia-de-minke terá um impacto muito positivo na indústria de observação de baleias, de longe economicamente mais viável».

Embora a quota para a pesca desta espécie seja de 262 por ano, apenas foram capturadas seis em Junho e nenhuma em Julho, o mês durante o qual mais animais eram apanhados. No ano passado, foram caçadas 17 baleias-de-minke, menos de metade do que em 2016, em que 46 exemplares foram capturados.

 

Área de protecção

Segundo Gunnar Jonsson, porta-voz da maior empresa de caça de baleias-anãs, a actividade começou a tornar-se mais difícil depois do aumento da área do santuário em Faxafloi Bay, perto da capital. O PRNewswire refere que historicamente, cerca de 85% das baleias-anãs foram pescadas onde actualmente existe uma zona de protecção. A necessidade de navegar mais longe, tornou a actividade mais cara e menos lucrativa.

Em Dezembro, o ministro da Pesca, Thorgerdur Katrin Gunnarsdottir, ordenou o aumento do santuário em Faxafloi Bay, depois anos de pressão por parte da IFAW, da Icewhale (Associação de Operadores de Observação de Baleias) e da SAF (Organização Nacional de Operadores de Turismo).

Apesar desta decisão, o representando da IFAW na Islândia afirma que há ainda muito a fazer neste e noutros países onde a pesca da baleia ainda é autorizada. «Este ano, foi importada carne de baleia-de-minke da Noruega. Embora os baleeiros islandeses tenham terminado a sua actividade, estão a ponderar importar carne de baleia da Noruega», sublinhou.

 

Carne de baleias-anãs

Embora a carne de baleia-anã seja vendida na Islândia, a maioria da carne é consumida em restaurantes por turistas estrangeiros, segundo a Iceland Magazine. Segundo uma sondagem recente realizada pela Gallup para a IFAW, apenas 1% dos islandeses respondeu comer regularmente aquele tipo de carne; 82% disse nunca ter comido.

Ao permitirem a caça à baleia, a Islândia e a Noruega desafiam a proibição da caça à baleia determinada em 1986 pela Comissão Internacional da Baleia. Em 2014, a União Europeia e os Estados Unidos da América ameaçaram a Islândia com sanções económicas.

O Japão também continua a permitir a pesca da baleia, aproveitando um vazio legal que autoriza esta actividade para estudos científicos.

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