Turismo

Agência de viagens Thomas Cook cancela visitas a parques que mantenham orcas em cativeiro

Na sequência da nova política em relação ao bem-estar animal, a empresa solicitou a auditores independentes que visitassem 49 parques que têm espectáculos com animais
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Documentário divulgado em 2013 mostra que as baleias-assassinas que vivem em cativeiro tornam-se mais agressivas (foto: Pixabay)

A agência de viagensThomas Cook anunciou este domingo que a partir do próximo verão não vai mais vender visitas a parques que mantenham baleias-assassinas (Orcinus orca) em cativeiro. Mais concretamente, o SeaWorld Orlando, na Flórida (EUA), e o Loro Parque em Tenerife (Espanha).

Num texto publicado no sítio da Internet da empresa britânica, o director executivo explica que a decisão foi tomada na sequência das mudanças de política em relação ao bem-estar animal feitas há cerca de um ano e meio.

«Ao introduzirmos essa política, reconhecemos que as expectativas dos clientes em relação às atracções com animais estão a mudar. Também nos referimos ao papel importante que o turismo tem no processo de eliminação de práticas que causam sofrimento aos animais», escreve Peter Frankhauser.

Na sequência da adopção dessa nova política, a empresa solicitou a uma equipa de auditores independentes que visitassem 49 parques que têm espectáculos com animais. Destas, 29 não cumpriam os requisitos mínimos determinados pela ABTA, a Associação Britânica de Agências de Viagens, pelo a Thomas Cook deixará de vender os seus bilhetes. Segundo o mesmo texto, as restantes 20 melhoraram a forma como tratam os animais, depois da visita dos auditores.

Este domingo, foi anunciado uma nova adenda à política de bem-estar animal, que determina o fim da venda de bilhetes para parques que mantenham orcas em cativeiro. O SeaWorld e o Loro Parque tiveram uma avaliação positiva, mas a Thomas Cook decidiu deixar de trabalhar com ambos a partir do próximo verão.

Peter Krankhauser afirma ainda que 90% dos clientes da empresa consideram importante que a sua agência de viagens tenha preocupações com o bem-estar animal.

 

O papel do turismo

A imprensa britânica refere que por detrás da adopção desta política em relação ao bem-estar animal está o documentário Blackfish, exibido em 2013. A realizadora, Gabriela Cowperthwaite, defende a tese que as baleias-assassinas (também conhecidas por orcas) que vivem em cativeiro tornam-se mais agressivas entre elas e em relação aos seres humanos.

O documentário centra-se na história de Tilikum, uma baleia-assassina macho que pesava seis toneladas e que matou três pessoas (dois treinadores e um espectador) nos sucessivos parques por onde passou. Tilly, como era chamado, tinha sido capturado aos dois anos de idade com outras duas orcas na Islândia em Novembro de 1983. Morreu no dia 6 de Janeiro de 2017, devido a uma infecção bacteriana. Na sequência da divulgação do filme, o SeaWorld viu a venda de bilhetes cair a pique.

Em Junho deste ano, como o jornal Os Bichos noticiou, a World Animal Protection divulgou um relatório nos quais são descritos diversos casos de abusos contra animais cometidos em parques de diversões na Indonésia.

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